Arquivo de Abril, 2008

30 anos atrás…


The Clash – White Riot (Live at Rock Against Racism, Victoria Park 30-04-1978)

Faz hoje 30 anos que um dos eventos mais significativos do punk enquanto movimento político tomava lugar. A 30 de abril de 1978, diversas bandas associadas ao movimento organizavam um concerto gigantesco em Victoria Park no East End Londrino intitulado Rock Against Racism contra a onda de racismo que assolava o país e comentários menos próprios de David Bowie (que mais tarde iria mostrar-se arrependido) e Eric Clapton (que passados 30 anos ainda não admitiu o erro das suas palavras), ao mesmo tempo que o  BNP aproveitava o clima de insegurança social e económica para obter votos e simpatia popular. No entanto, nem todos aceitavam essa situação, e o RAR foi crescendo, até se tornar numa força de mudança.

Enquanto o Live Aid é lembrado a todos os instantes como um movimento sócio-político sem igual, apesar dos resultados bastante questionáveis, o Rock Against Racism mostrou à National Front e restantes grupos de extrema-direita que os tempos em que colocavam uma bota por cima de todos os que não consideravam aptos para morar na Old Albion tinha acabado, e lançava os anos 80 para uma re-consciencialização social necessária a um império que o deixava de ser.

Quem quiser um texto mais aprofundado (e de onde este é algo derivado), pode ler a excelente crónica no Guardian, colocada na semana passada.

Horror Head

Curve – Horror Head
(Doppelganger, 1992)

 

What day is today?

Compras AbrilNão, não acho que existe uma música chamada “Monday Morning” (o mais próximo que conheço é a Sunday Morning dos Velvet Underground), mas é o dia em que finalmente faço o tão pouco esperado post com coisas que compro. Mas que faço na mesma.

Conforme tinha dito anteriormente, comprei os primeiros vinis de 12″, e obviamente não tenho espaço para eles. Seja como for, são uma recordação da feira do vinil em Gaia a comemorar o Record Store Day. Sobre o single de 12″ dos KLF não há nada a dizer – ou melhor, até há, mas deixo isso para uma versão mais formal de um texto que meti no Google groups. O single de 12″ é o bastante comercial (como seria de esperar por parte daqueles dois) 3.A.M Eternal (Live at the S.S.L.), um dos maiores hits da vaga acid house/rave/whatever. À direita, Palavras ao Vento, o LP de 1991 dos Resistência que a bem dizer catalisou todo um interesse na música Portuguesa na primeira metade dos anos 90 (e ajudado por problemas contratuais dos agora “dinossauros” dos anos 80). Parece uma compra algo atípica, mas o cassingle com a Nasce Selvagem, Não Sou o Único e Liberdade foi a minha primeira compra músical, isto lá para os anos idos de 1992 ou 1993. Ou 1991, nem consigo situar bem no espaço temporal. Só sei que foi uma terça-feira solarenga, na feira da Areosa, onde comprei igualmente um boneco de ventosa do Alf. Nada mau para o gajo que descobriu uma banda com um som jeitoso de manhã, e enquanto curava as dores no estômago estendido a ver TV se esqueceu do nome. Seja como for, aqui fica Nasce Selvagem:

A fechar as aquisições feitas de plástico talhado (já que não resolvi a situação do híbrido dos New Order e não o vou meter assim), o homem que salvo erro estreou a secção de videoclips aqui do tasco, John Foxx (então nos Ultravox) com o seu primeiro single a solo após a saída da banda, Underpass.

Um dos primeiros músicos new wave/post-punk e uma das inspirações para Gary Numan, um dos maiores artistas pop do virar da década, Foxx teve uma carreira bastante irregular (não como Numan, que apesar do decréscimo de qualidade continuava a produzir álbums em série, mas a desaparecer completamente da cena musical e voltar às roupagens de Dennis Leigh, professor e designer) ao longo das décadas seguintes, o que acabou por minar as suas aspirações no palco das músicos mais influentes da revolução musical dos anos 70.

Agora nos CDs, podemos dizer que foi o mês das edições com DVD. Mas começamos pelas normais – o segundo CD do Bernard Butler (que tem o site em remodelações – virá por aí o terceiro?) a solo entre os Suede e os The Tears, e partilhado com o projecto junto do cantor soul David McAlmont. Este tenho que admitir que ainda não o conheço convenientemente, mas comprei-o com base numa recomendação muito firme de alguém em quem confio bastante. Assim que tiver uma faixa escolhida, irá aparecer algures num post. Do outro lado está o The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars, a obra-prima de David Bowie lançada em 1972. Não há muito que possa dizer sobre o álbum; andava a pensar em comprá-lo há anos, mas foi preciso ver o Velvet Goldmine para me decidir a comprá-lo. Mesmo assim, ainda não me resolveu a dúvida eterna: será que o Peter Murphy canta a Ziggy Stardust melhor que o Bowie? Acho que preciso de comprar o single dos Bauhaus para ter a certeza…

Agora, as ditas edições com DVD. Numa altura em que a distribuição física é ameaçada pelos altos custos (comparado com edições apenas digitais) e pirataria, uma solução (principalmente para álbum sem “idade” para remasters ou sem material para faixas extra) é colocar um DVD com diversos tipos de extras. O DVD extra de Out Of The Angeles dos Amusement Parks on Fire (que já tinha comprado antes, mas consegui vender a verão normal e comprar esta por uma diferença mínima) encontra-se um concerto completo, e embora o som seja de uma grande qualidade, a decisão do realizador em mudar de ângulo de camera a cada cinco segundos acaba por tornar a experiência algo… desagradável. Seja como for, sempre é melhor que uma versão só com um CD. Já o dos Franz Ferdinand inclui bastantes extras, desde a filmagens e fotos da gravação do álbum, uma entrevista, o videoclip de Do You Want To e desbloqueia uma parte extra no site (que não tenho grande vontade de ver o que é). Assim, despeço-me deste post com Walk Away:

Saturnine Songs

E vale a pena referir que o novo álbum dos Suecos The Search, Saturnine Songs está por aí a bater a qualquer altura. Uma evolução no som da banda sem fugir muito ao espírito darkwave influenciado por bandas como os Cure e Joy Division e o synthpop da década de 80. Segue-se o primeiro single, Distant:

Tal como o trabalho anterior da banda, podem sacar a versão digital do álbum (que exclui as duas últimas faixas) tanto no last.fm como no site da editora alemã, onde está incluído num pacote com o booklet e tudo o que precisam para transformar a versão digital numa coisa que não destoe muito na colecção.

E continuo com dúvidas…

Mas afinal de contas, será melhor ou não?

Rock Martyrs

Há dias mostraram-me um post dos blogs do Guardian sobre o papel por vezes intrusivo da imprensa na criação dos chamados mártires do rock, e da reacção do Thom Yorke a um artigo onde o autor do post perguntava-se na capa da agora desaparecida Melody Maker se o vocalista dos Radiohad estara a caminho de ser o próximo mártir da música, e anos mais tarde ainda guardava ressentimentos sobre a insinuação.

Este post iria passar em claro não tivesse encontrado precisamente a situação oposta numa das Select que comprei no mês passado, mais precisamente a de Agosto de 1996 (Ash na capa), onde a revista fazia uma retrospectiva ao longínquo ano de 1992 (na altura nem por isso – embora nesses quatro anos toda a indústria musical iria ficar virada do avesso com o boom do Britpop e desaparecimento quase súbito do grunge) , com entrevistas a membros de bandas shoegaze e baggy como os Slowdive, Charlatans, Ocean Colour Scene, The Farm, Boo Radleys, Soup Dragons (que consideram um dos seus pontos altos terem estado no Top 5 em Portugal), Curve e Mock Turttles e caracterizando-as conforme “sobreviventes” à vaga do Britpop e desaparecimento dos movimentos onde se inseriam ou não.
A banda em questão (e em destaque) são os Lush, considerados “sobreviventes”. Ninguém ousaria fazer deles mártires do que quer que fosse, mas a verdade é que Chris Acland, o baterista destes “sobreviventes” iria suicidar-se apenas uns meses mais tarde, a 16 de Outubro de 1996, levando a banda a um luto prolongado que iria ditar o seu final dois anos mais tarde.

É impossível “prever” estes mártires. Há 15 anos, poucos diriam que o Nick Cave ainda estaria vivo e a dar concertos e chegar aos 50 anos. Isto para nem falar do Keith Richards, que mais parece desafiar toda a lógica da tolerância humana para drogas (ou algumas, parece que já tem 90 anos e uma mente a condizer) enquanto outros como o Jeff Buckley desaparecem aos 30 anos em freak accidents.

Starman


Starman – David Bowie (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars, 1972)

Quarta vi o Velvet Goldmine, ontem (finalmente) comprei o Ziggy Stardust. Acho que já era tempo de o fazer…

Pavilhão Rosa Mota

Pavilhão Rosa Mota

O Palácio de Cristal, um dos meus espaços preferidos da cidade. Muito provavelmente, porque é o único que não parece uma aterro sanitário seis meses por ano. Isto até começarem as obras de reabilitação, é claro…

Tinha este post a apodrecer desde o Verão -ou Janeiro de 1970, segundo o WordPress- passado. Pronto, já está cá fora para todos verem!

You know once I start I cannot help myself

Discipline, novo single do Trent Reznor. Out now. Free

Love Shock


The Search – Love Shock (The Search, 2004)

Talvez seja eu a ficar doido, mas isto parece New Order, Cure, Joy Division, Pulp e mais algumas coisas todas ao mesmo tempo. SENSORY OVERLOAD! Mesmo assim, não deixa de ser uma faixa algo viciante de uma banda com um dos nomes mais anti-internet de sempre. Mas bem antes pelo contrário: no last.fm podem encontrar o álbum completo. Não fossem eles da terra do Pirate Bay.

Anyway. É bom.

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