Arquivo de Maio 28th, 2008

Isto é o jornalismo em Portugal…

Esta notícia do Público (entretanto corrigida), traduzida a partir do site da Reuters, mostra bem o lindo estado em que está o “jornaleirismo” (já que usar o termo referido no título em cima é quase um insulto a quem pratica essa arte noutros locais onde será certamente mais bem tratada) neste país que daqui a uns dias irá esquecer-se da crise dos preços do petróleo para dar lugar a uma “alegria” enevoada pelas fotos de Ronaldo e companhia. Se traduzir “Life sentence” para “pena de morte” já é mau, desconhecer que na Europa ocidental a pena de morte foi abolida (apenas algumas excepções para traição em tempo de guerra), e mesmo na Europa de leste apenas a Russia e a Bielorússia a mantêm, é um verdadeiro atentado à inteligência dos jornalistas e tradutores no desemprego actualmente.

Por estas e por outras é que intelectualoides como o Andrew Keen deviam deslocar os livros que escrevem da secção “tecnologia” para “comédia”. Se isto é o trabalho dos profissionais, valham-nos os amadores!

Gobbledigook

É o primeiro trabalho a sair de Með suð í eyrum við spilum endalaust (que quer dizer qualquer coisa como “Com um zumbido nos ouvidos tocamos incessantemente“), o novo álbum dos Sigur Rós, cujo videoclip, que retrata uma tribo indígena nas florestas tropicais da Islândia, podem ver no site oficial, já que aparentemente podem colocar videos das Pussycat Dolls no YouTube, mas não videos onde aparecem uns jovens tal e qual vieram ao mundo não. Mas voltando ao nome, não que isso importe – entre Islandês e Vonlenska, os Sigur Rós são mesmo daqueles casos em que a forma como cantam é infinitamente mais importante do que o que é cantado. Bom exemplo disso é a Flugufrelsarinn de Ágætis Byrjun - a fiar pela tradução mais conhecida da letra, é preferível imaginar outra coisa qualquer, a não ser que tenham algum interesse na libertação de moscas . Fica o áudio de Gobbledigook.

Tenho estado algo receoso sobre o álbum novo deles, principalmente após o Jonsi ter falado em fazer um álbum mais acessível. Infelizmente, parte dos meus receios confirmaram-se: o álbum inclui uma faixa em inglês, e a ver pela amostra decidiram afastar-se da matriz sonora que os caracterizou na última década. Não que isso seja mau: quem tem bom gosto tem-no sempre, e nesse espaço de tempo os 4 magníficos da música islandesa mostraram-no sempre.

Embora seja sempre arriscado fazer estas “previsões” com base numa só música, este deverá ficar bem ao lado de Saturdays=Youth dos M83: umm álbum bastante bom, mas que acaba por destoar demsaiado na discografia da banda. Seja como for, um bom álbum é sempre um bom álbum.


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