No meu último texto para o Meia-Hora, que foi publicado no dia de abertura do Alive, fiz uma pequena referencia à necessidade de apresentar cartazes coesos e bem equilibrados como forma de garantir o sucesso dos mesmos. No SBSR acabamos por ver isso acontecer.
A decisão em dividir o festival por apenas dois dias, um no Porto e outro em Lisboa, acabou por mostrar o declínio do festival desde a edição de 2007, onde juntou, imagine-se, Metallica, Joe Satriani, Arcade Fire, Klaxons, Bloc Party, LCD Soundsystem, Jesus and Mary Chain, TV On The Radio, Underworld, Interpol e Scissor Sisters, entre muitos outros, ao longo dos 4 dias de festival. Já no ano passado tinha sido difícil para muitos engolir a separação de bandas entre Porto e Lisboa, mas dado o formato, difícil era tal não acontecer. Este ano, com o festival reduzido a metade, o cartaz foi reduzido a ainda menos que isso – dois headliners de peso, sem dúvida, mas com pouco mais a acompanhar.
Ora, o cancelamento dos Depeche Mode acabou por ter o resultado explosivo que se previa: esperava-se um relvado cheio, em vez disso, teve-se uma audiência na ordem dos 3000 espectadores segundo algumas fontes. Não se pode culpar a organização por ter ido buscar os Xutos e os Gift para encher o cartaz – com menos de 48 horas para o concerto, era quase impossível buscar um nome com o mesmo impacto e público alvo dos DM. O problema é mesmo a falta de qualidade de um cartaz que valia quase unicamente pelos DM (sem desprimor para os Nouvelle Vague, mas que já sao habituées dos placos nacionais), e que sem eles perdeu a razão de ser, ao preço elevado que tinha – tal como muitos disseram, acabou por ser um cartaz ao nível da Queima das Fitas, e apesar de se louvar a iniciativa de permitir a entrada no Restelo aos portadores de bilhetes para o Porto, nem todos terão a disponibilidade de ir a Lisboa no próximo fim de semana.
O número de festivais que as promotoras se tentam empurrar entre Julho e Agosto é absurdo. Era preferível apostar em menos festivais (principalmente aqueles que cobram 40 euros de diária) mas que sejam feitos de forma a que a ausência do headliner ainda deixe motivos de interesse suficientes para as pessoas se deslocarem ao evento.






Felizmente não tenho vida para a tremenda anarquia que reina nessa Dinamarca –’
Há festivais a mais. Isso é clarinho como água.
E digo-te mais: Xutos e Gift para substituir DM?! Onde páram as ONG’s pró direitos humanos quando são precisas?!