Diário do Mundial XXII

Jogo 41 – Rep. Checa 0 – 2 Itália
Após um primeiro jogo a roçar o brilhante e um segundo a roçar a inexistência (cacetada, no caso da Itália), as duas equipas defrontavam-se a saber que quem ganhasse passava, e quem perdesse ia ficar à espera do outro resultado. Com nenhuma das equipas a praticar um futebol particularmente atractivo, a balança parecia pender para o lado Checo quando Nesta saiu lesionado e deu o lugar ao infinitamente inferior Materazzi. A surpresa apareceu aos 26 minutos, quando o mesmo Mataratti colocou a Itália na frente. Se, com o resultado no outro jogo as coisas pareciam azedar, Polak decide deixar o leite de fora do frigorifico e já a um minuto do final da primeira parte decide coçar os calcanhares de Totti, o que lhe valeu o segundo amarelo. A segunda parte assistiu à entrada do rei do fora de jogo, que veio trazer alguma mobilidade a um jogo excessivamente parado. Apesar de conseguir fazer alguns remates incómodos à baliza de Buffon, é Totti (que aproveitou diversos lances para treinar o passe com Cech) que lança Inzaghi que sai isolado, corre meio campo, contorna Petr Cech e marca o segundo. O lance deixou dúvidas a alguns, mas na repetição vê-se que além de partir de trás de dois defesas, parte antes da linha de meio campo. O verdadeiro golo à Inzaghi. Sem tempo para reagir, não restava nada à Rep. Checa senão gozar os últimos minutos no mundial. O que não devem ter feito. O ruído que se ouviu no fim foram milhares de boletins de apostas a serem rasgados ao mesmo tempo.
Golos
26′ Materazzi 0-1 – Canto de Totti, e o central do Inter a subir mais que toda a gente, e a cabeçear para o segundo poste.
87′ Inzaghi 0-2 – Com a Rep. Checa a tentar o empate, Totti lança Inzaghi que corre 50 metros, tem tempo para olhar para os flancos, decide contornar Cech e marca o segundo.

Jogo 42 – Gana 2 – 1 Estados Unidos
Com o interesse a estar no Rep. Checa – Itália, bastava saber que o jogo teria Markus Merk no apito para saber que ia haver a) muitas faltas e talvez amarelos b) uma decisão de penalty mal tomada. Basta ver as estatística de jogo para saber que a primeira parte foi cumprida, com 48 faltas e cinco amarelos, e a segunda, a imagem de marca de Merk, numa decisão ligeiramente polémica que acabou por dar a vantagem ao Gana, e qualificar a equipa africana para a segunda fase.

Golos:
22′ Draman 1-0 – não vi
43′ Dempsey 1-1 – cruzamento da esquerda, e Dempsey aparece para fuzilar o guarda redes contrário de pé direito.
47′ Appiah 2-1 – Penalty excelentemente cobrado, Após falta de Onyewu Vidoso sobre o já mítico Pimpong.

Jogo 43 – Croácia 2 – 2 Austrália
Num jogo de proporções épicas onde quem ganhasse (ou no caso da Austrália, não perdesse) passava, foi a Croácia (a que fica na Europa, não a que tem uns tantos jogadores de nome parecido) por meio de Srna que se adiantou, com um livre logo aos dois minutos. Como por esta altura ainda estava a ver como o Brasil se desenrascava, vamos dizer que depois a Austrália empatou de penalty, e já na segunda parte Kovac voltou a adiantar a Croácia. Indo directamente para a parte interessante, quando aos 73 minutos, Pletikosa defende a bola, sendo placado por diversos jogadores australianos em cima da linha, e pouco depois a aproveitar a tendencia ultra-defensiva da Croácia, a Austrália faz um cruzamento que é habilmente desviado por Tomas, que quis mostrar que os Croatas não são menos que os Sérvios e tambem são capazes de desviar a bola por duas vezes com a mão no mesmo jogo, mas Graham “RED CARD” Poll achou que dar uma palmada não era suficiente. Com o cerco montado, demorou pouco até Kewell marcar o golo do empate. Com isto, o jogo começou a ficar interessante. Primeiro, é Simic que corta as pernas de Kewell (além de um contra-ataque) e vê o segundo amarelo. Pouco depois Emerton decide equilibrar as coisas, e após ter visto um amarelo infantil por atrasar a reposição de bola apanha outro por meter a mão na fruta. Em seguida, ninguem entende se Simunic foi expulso, mas continua em campo, e a Croácia mantem a bola a bailar na àrea Australiana, mas não consegue empurrar a bola para dentro da baliza. Com o tempo a escassear, a Austrália ainda pressiou mais uma vez, conseguindo marcar um golo que foi anulado por Poll. Simunic, que ainda ninguem se tinha aprecebido que tinha sido expulso acabou por o ser quando o jogo já tinha terminado, mais ou menos entre o anular do golo e a marcação da falta. E assim, a selecção Australiana passou aos oitavos, onde vai defrontar a Austrália.

Golos:
2′ Srna 1-0 – Livre directo exemplarmente cobrado.
38′ Moore 1-1 – Penalty a cobrar mão na bola de Tomas.
56′ Kovac 2-1 – Kalac, num momento patriótico, a dar um frango a entrar na história dos mundiais
79′ Kewell 2-2
– Cruzamento na direita, a bola tem um desvio no coração da àrea e sobre para Kewell marcar o golo do empate.

Jogo 44 – Japão 1 – 4 Brasil
Com o Brasil qualificado, o Japão precisava de uma vitória neste jogo, e esperar que a Croácia ganhasse. Ou qualquer coisa assim parecida. Com diversos titulares de fora, o Brasil ganhou na aposta em deixar “Benglinhas” Cafu de fora e apostar em Cicinho, mas o Japão marcou primeiro, por intermédio de Tamada, após o ataque do Brasil ter obrigado Kawaguchi a quatro defesas de elevado nível durante a primeira meia hora. Tudo parecia indiciar que a primeira parte ia acabar com a vantagem do Japão, Ronaldinho Gorducho aproveita um cruzamento de cabeça de Cicinho (sabe-se lá como) e coloca o jogo de novo empatado. Chega o intervalo, e restavam duas perguntas: quanto tempo ia demorar até o Japão dar o estouro, e Kawaguchi meter àgua. As duas perguntas foram respondidas por um remate de longe de Juninho, com a bola a passar pelo meio dos braços do guarda-redes Nipónico. aos 53 minutos, ainda longe dos 65 minutos habituais, mas quando Gilberto marcou o terceiro pouco depois, as dúvidas ficaram ainda mais dissipadas. No entanto, a surpresa ainda estava para vir, com o gordo a marcar o segundo após combinação com Juan. O jogo terminava pouco depois, com o Japão a ir mais cedo para casa, a mostrar que o futebol pouco evolui por aqueles lados.

Golos
34′ Tamada 1-0 – Alex lança Tamada que aproxima-se da pequena àrea e com um remate potente e colocado coloca o Japão a vencer.
46′ Ronaldo 1-1 – Cruzamento, Cicinho cruza de cabeça, e a defesa deixa o Gordo saltar (ou levantar os calcanhares, que foi o que pareceu) sozinho na àrea, e empatar a partida
53′ Juninho 1-2 – Ninguem marca a estrela do Lyon que remata forte e colocado, com Kawaguchi a deixar passar a bola por entre os braços e por cima da cabeça.
59′ Gilberto 1-3 – Ronaldinho lança Gilberto, que entra na àrea e entre passar para Ronaldo ou rematar decide rematar, e assim amplia a vantagem
81′ Ronaldo 1-4 – Juan assiste o Gordo que remata colocado, fechando assim a contagem.

Golo do Dia

Juan assiste o Gordo que remata colocado, fechando assim a contagem.
Arena desiludido
Bruce “melão” Arena, como vai ficar conhecido após este Mundial, voltou a sentir-se prejudicado pelas arbitragens, já que “Gostávamos de ter chegado ao intervalo com uma igualdade no marcador, com oportunidade de vencer o jogo. Essa foi uma decisão (ndr: o penalty) importante“. Após as declarações de Domenech em que dizia mais ou menos o mesmo, a prova que os Americanos só são arrogantes com os Franceses porque têm inveja está aqui.

Keller explica McBride
O guarda-redes americano explicou em conferência de imprensa o porquê da preocupação em torno de McBride, que levou uma cotovelada de De Rossi no jogo da passada semana: “Brian já tem placas de titânio na cabeça“, concluindo “a cabeça dele é 5% titânio“. Dito isto, McBride entrou de rompante, saudando os jornalistas com um audível “Hello losers” enquanto se sentava com as pernas em cima da mesa e tirava um cigarro e uma garrafa de cerveja do seu fato de treino.
Frases do Dia:

O árbitro viu este jogo como uma… minoria… responsável
– Simões

Checoslováquia
– Toni, por pelo menos três vezes

Nágazua
– Humberto Coelho, a tentar dizer Nakazawa

Posted Sexta-feira, 23 Junho 2006 by Silva in Diários do Mundial

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