A choradeira do costume

Arre. Isto até já chateia, e já chateia tanto, que até me tirou da brincadeira. Embora a definição de “brincadeira” do 433 é muito relativa porque no fundo, só estou a dizer a verdade.

Cada vez que uma das amélias dos três grandes tem um lance onde é prejudicada, começa o choradinho que o futebol tem que sair da idade da pedra, têm que meter bolas XPTO com chips, repetições video, e não tarda, a tecnologia utilizada para fazer os VMRs há cinco anos. Até metia aqui uma imagem, mas não a tenho neste PC e a minha conta do geocities morreu há muito. Adiante.

A coisa que é REALMENTE enervante é a forma como se pensa que o uso de camaras de video vai resolver todos os problemas. Para começar, quando se diz que “nos Estados Unidos usam” esquecem-se que ao contrário do que se passa em Portugal (um barbeiro disse-me que na CL usam), TODOS os jogos têm transmissão televisiva, seja nacional ou regional. E como sou dos que acham que a corrupção a sério ocorre nas divisões inferiores (nos quais dois ou três jogos têm um par de cameras para fechar os programas da bola), isso iria resolver o quê? Um dos trunfos que a FIFA gosta de exibir é que o futebol que se pratica na final de um Mundial é essencialmente o mesmo da 2ª divisão de Regionais de Patuakhali no Bangladesh, e começar a dividir as ligas (porque não acredito que uma medida desta dimensão possa ser aplicada por jogo) por “ligas de primeira” e “ligas de segunda”. E muito dificilmente a Portuguesa está no grupo das primeiras.
Continuando. Vamos, só para efeitos práticos, admitir que a FIFA aceita a implementação do vídeo onde os clubes quiserem, e pegando no tão amado exemplo americano, vamos para dois exemplos.

1999, Jogo 6 da final da NHL
Após três prolongamentos, Brett Hull dos Dallas Stars (que venciam a eliminatória à melhor de sete por 3-2, a uma vitória do título) faz dois remates defendidos por Dominik Hasek, e ao terceiro marca, dando a Dallas o seu primeiro título de sempre fora do Futebol Americano. A polémica? A NHL tinha implementado uma regra onde um jogador não podia colocar um patim ou qualquer parte do corpo na crease (àrea do guarda-redes), excepto se o puck (patela, disco ou que quiserem chamar) tivesse entrado primeiro. A foto do momento ?

Ora bem. Esta é a camera utilizada para ajuízar os lances, e penso que não há dúvida que o patim está lá dentro, e o puck cá fora. Mas o golo valeu, deu o título, e o árbitro protegeu-se por uma technicality – como alegadamente tinha o controle do disco, podia entrar à vontade. Por causa deste lance, e de uma época de confusões atrás, a regra saiu de circulação após uma só época. A solução das camaras video é infalível, de facto…

Super Bowl XL
Ainda foi este ano, mas a mínima cobertura do desporto em Portugal ocultou o evento anual mais transmitido do planeta da quase totalidade da população. Não interessa andar a falar do jogo, mas sim dos alegados “deslizes” a favor dos Pittsburgh Steelers, que acabaram por ganhar. A wikipedia tem um bom artigo sobre o assunto, e como não entendo muito disto, deixo as explicações para lá. Seja como for, a Superbowl tem cameras por tudo quanto é sítio, e mesmo assim surgiram estas dúvidas todas.

Alguem ainda acha que enfiar cameras é uma solução mágica oferecida pelos Deuses? Ou será que a possibilidade de, em lances realmente polémicos o árbitro ir contra “o meu clube” só vai servir para lançar gasolina sobre o braseiro dos arranjinhos e afins?

Posted Terça-feira, 26 Setembro 2006 by Silva in Futebol

%d bloggers like this: