Webcomics: Inzert Coen

Corria o ano de 2003, e juntamente com o Sr. Fernandes, conhecido por manter um blog a funcionar durante cerca de 10 nano-segundos de cada vez, e o Ayatollah Pikachub, conhecido Nintendo fanboiola e operador do canal #Megascore, decidimos criar um site/forum de jogos no mesmo estilo dos sites com releases do GameBoy Advance. De seu nome PT-Arcade (apesar de ironicamente, as arcades serem as únicas plataformas que não estavam cobertas), esteve hospedada em diversos sitios de má-fama, desde chulos que fechavam a conta porque lhes apetecia até à Cubo Digital, onde acho que ainda sou lead designer, tinha quase tudo que se podia esperar de um site de jogos. Reviews, notícias, muita discussão, talvez só faltando uma coisa. Utilizadores. Pois.

Seja como for, tinha uma coisa raramente vista assim colada a um site que se queria mais generalista – um webcomic. De seu nome “Inzert Coen“, baptizada pelo início da Powerpill Pacman.

Com um estilo inspirado no River City Ransom (da mesma forma que o excelente Little Gamers é o “filho ilegítimo de Bomberman com Hello Kitty”), pode-se dizer que enquanto era um exercício interessante de arte quase vectorial ainda antes de usar programas vectoriais, era tambem uma coisa sem o mínimo de planificação. Até porque, para começar, as personagens nem tinham nome. Sim, no melhor estilo Silvesco (não confundir com o estilo Silvescu, que é quando uma ideia fica orfã ou é fuzilada à frente de toda a gente), a ideia partiu a partir de meia duzia de desenhos, não de um ficheiro de texto com tudo devidamente planificado. À falta disso, havia duas personagens principais, conhecidos apenas como “Fanboi Doom 3” e “Fanboi Half Life 2”, dois jogos ansiosamente esperados na altura e que levantavam enormes discussões sobre qual iria ser o melhor ou mais relevante nos anos que se seguiam.

Outra das personagens chave era o metaleiro que acaba por ser contratado para a secção de jogos da Fnac (graças a uma altura em que em duas lojas diferentes era atendido por pessoal “altamente especializado” e o seu antagonista, o “puto leet de 15 anos”, uma caricatura do utilizador típico de forums com essa idade, nomeadamente de um que andava pelo forum da Mega Score.

Uma das melhores tiras surgiu do processo que a Remedy levou de um wrestler de sua alcunha “Maxx Payne“, e por algum motivo mais ninguem pegou no óbvio:

A primeira versão correu durante a espectacular duração de, imagine-se SEIS tiras, duas delas após o renascimento da PT-Arcade, quando uma das belas shell providers que o Sr. Pikachub arranjava deu o pifo e mudou-se tudo para a Cubo Digital.

Pena que a minha paciência já não era muita, e a dinâmica dos utilizadores tambem já estava minada “porque é que me hei de registar outra vez se isto dá o berro daqui a duas semanas?” O forum ainda sobreviveu mais uns meses, mas já restava muito pouca da força com que a primeira versão havia começado.

Mais tarde, pelo verão de 2004, a necessidade forçou-me a adoptar gráficos vectoriais, e com isso, aprender novos métodos de desenho. Uma das ideias que me havia ocorrido foi mesmo pegar no webcomic de novo, do qual apenas existe a respectiva vectorização das personagens:

A mais à direita era a personificação da Zebra-bot, muito provavelmente o pior bot alguma vez visto. Mesmo assim, a única personagem que acabou por ter um nome, a par do Max Payne que a certa altura podia passar a ser personagem fixa.

No entanto, nada disto passou da fase de desenho. Tirando algumas ideas (como a de incluir o Max Payne e a personificação da Zebra), o meu deslocamento com o mercado actual de video-jogos é quase total e seria difícil justificar um webcomic com outras áreas de interesse.

Posted Sexta-feira, 2 Fevereiro 2007 by Silva in Freedom of Exhumation Act

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