Joy Division

A música, principalmente da boa, tem destas coisas. Ontem tinha parado de tentar produzir mais umas strips para a quinta série do Isolation (sim, cujo nome deve a uma música dos Joy Division) e vou espreitar a TV e eis que quando passo pela SIC Radical, o Blitz está a anunciar a revista de Maio, onde a capa é Ian Curtis, já a antever o filme que estava a ver que nunca mais saía, e eis que colocam o videoclip da Atmosphere:

(não visivel, a cara dos apresentadores do CC quando o videoclip acabou, já que o Anton Corbijn deve fumar coisas lindas)

E assim, pela primeira vez em cerca de seis anos, vejo o Curto Circuito por mais de 2 minutos. A verdade é que já sabia da capa (fruto de conversas com a menina Buondi) há algum tempo, mas ver algo como os Joy Division num programa que (supostamente) passa coisas tão fascinantes da música actual como Frozen Apes vale sempre a pena ver.

A minha experiência com o Blitz é limitada. Só de ver todas as Terças há uns cinco anos nos intervalos das aulas matinais de programação e ter cometido o erro de ter comprado um número dedicado aos Pink Floyd e ao Syd Barrett em 2006 cujos conteúdos parecem ter sido criados a olhar para meia dúzia de tabs abertas na wikipedia.

silva_pinkfloyd.jpg

No fundo, o problema da quase obsessão com algumas bandas (Pink Floyd, The Smiths, Joy Division, Ultravox!, Depeche Mode, Nine Inch Nails) é tornar difícil ficar satisfeito com algum artigo de revista que não seja uma entrevista, já que acaba por ser difícil mostrar alguma coisa de novo sem alienar ao mesmo tempo aqueles que nada sabem. Mas ao mesmo tempo, ser incapaz de resistir a ir à carteira para comprar mais um número. E escrever posts grandes em blogs. E assim foi, mais uma vez.

silva_iancurtis.jpg

Os Joy Division terão sido o expoente máximo do Post-punk, e consequentemente, terão moldado muito da música feita até aos nossos tempos, principalmente pela porta do chamado Rock alternativo.

O texto, escrito por Jon Savage (England’s Dreaming), vai desde os princípios da banda enquanto Warsaw até ao “e agora?” após o dia 18 de Maio de 1980. É essencialmente um texto escrito por quem esteve lá e viu como uma banda nascida do mítico concerto dos Sex Pistols no Free Trade Hall de Manchester em 4 de Junho de 1976 tornar-se de um dos ícones e referências do pós Pink-Floyd e Yes e também do pós Sex Pistols e Crass. Tal como seria de esperar, não conta nada de essencialmente novo – a diferença é que ao contrário do texto sobre os Pink Floyd, aqui o leitor não se sente insultado pela forma light como se escreve sobre o assunto: são 18 páginas, algumas delas preenchidas com fotografia excelente, incluindo intervenções de Peter Hook e Tony Wilson.

No entanto, um lado negativo. Com tanta banda de jeito para ir perguntar sobre a influência dos Joy Division na sua música vão buscar o emo dos My Chemical Romance? Epa, não me fodam, os Interpol e até certo ponto até o Trent Reznor podiam dar uma melhor impressão do em vez do “buá-buá-buá era um puto gordo que agora recebe milhões de Dolares a escrever música para putos que se cortam porque uma gaja não lhes fala”. Uma coisa é verdadeiro pessimismo, que vem da alma por ver um presente degradado e um futuro incerto (no fundo, devia escrever música dentro de um dos prédios que andam a cair pelo Porto fora), outra é diarreia de LiveJournal.

Para acabar, após ter passado uma semana a ameaçar cascar na revista, fica bem dar o braço a torcer e admitir que o formato da revista está bastante mais agradável que o anterior jornal. São bem capazes de ter arranjado um cliente novo, até porque o suplemento “Blitz Aprova” é capaz de ser interessante para ver se metem alguma das coisas mais obscuras que tenho por aqui.

Vamos acabar com um dos momentos únicos dos Joy Division, Transmission e She’s Lost Control ao vivo.

Posted Sexta-feira, 27 Abril 2007 by Silva in Musica

Tagged with

%d bloggers like this: