A Escolha: 15 álbuns, 1985-1993

Em antecipação do número de Junho do Blitz, que sai na próxima Sexta, aqui fica as escolhas do vosso anfitrião para os melhores álbuns saídos entre 1985 e 1993 (também conhecida como “a altura de onde vem a minha música preferida, part 2”). Ordenados conforme me ia lembrando, já agora.

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Black Celebration (Depeche Mode, 1986)
Eis como o puto Dave Gahan passou de músicas como Can’t Get Enough do primeiro álbum da banda, ainda com Vince Clarke, para material a roçar o negro em quatro anos e a traçar o futuro da banda. Sim, tal como em quase todos os discos da banda existe material de fugir (não é à toa que as duas compilações de singles venderam com números bem redondos), mas é difícil resistir a um álbum que abre com a música que deu o nome ao álbum, seguindo-se outras das melhores músicas da banda como Fly on the Windcreen, A Question of Time, Stripped, Dressed in Black ou But Not Tonight.

Para alguns, será injusto colocar este Black Celebration em vez de Violator, de longe o maior sucesso da banda, mas a verdade é que ganhou no sempre científico método de atirar a moeda ao ar (sim, a sério).

Baby, The Stars Shine Bright (Everything But The Girl, 1986)
Como já me disseram, este é daqueles álbuns que tem que ser ouvido de uma ponta a outra para ser devidamente apreciado. Apesar de algumas músicas como Come On Home, Don’t Leave Me Behind, Cross My Heart, ou Sugar Finney ficarem facilmente no ouvido, existe muito mais pelo meio para fazer deste um dos melhores esforços do pop-rock romântico da altura. E por algum motivo, é dos poucos álbuns que não consigo corromper para o Isolation.

Psychocandy (The Jesus and Mary Chain, 1985)
O álbum que lançou as fundações para o noise pop e o shoegaze é uma mistura de pop-rock muito Beach Boys combinada com as distorções vistas em músicas dos influentes Velvet Undergound. Músicas como Just Like Honey, The Living End, Taste of Cindy e Never Understand sublinham um album que acaba por marcar os anos 80 pela forma como opõe as melodias harmoniosas cuidadosamente estudadas típicas da década com o feedback intenso que povoa a quase totalidade dos cerca de 43 minutos do álbum.

Bummed (Happy Mondays, 1988)
Poesia, ou um delírio provocado por o que quer que Shaun Ryder tenha tomado? De qualquer forma, apesar de algumas coisas ligeiramente absurdas a correr está um dos álbuns (a par da continuação dos Happy Mondays em 1990 com Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches) que lançou um movimento que alterou a música Britânica nos anos seguintes: Madchester. Um dos últimos álbuns produzidos por Martin Hannett, um dos cérebros por trás da Factory Records, com os seus remixes, é um marco que mostrou que existe uma grande verdade por detrás de uma das frases de 24 Hour Party People:

They’re applauding the DJ. Not the music, not the musician, not the creator, but the medium. This is it. The birth of rave culture. The beatification of the beat. The dance age. This is the moment when even the white man starts dancing. Welcome to Manchester.

Deste álbum destacam-se Wrote For Luck (mais conhecida na sua versão W.F.L. após o remix de Vince Clarke), Lazyitis e, obviamente, Do It Better:
Good, good, good, good, good, good, good, double double good, double double good.

Pretty Hate Machine (Nine Inch Nails, 1989)
Quem diria que aquele rapazinho de Pennsylvania que era teclista numa banda de synthpop de seu nome Exotic Birds ir-se-ia tornar uma das figuras mais influentes da música dos anos 90. Tudo começou com Pretty Hate Machine, cujas demos Trent Reznor gravou nos tempos mortos num estúdio em Cleveland onde tinha o charmoso emprego de… faxineiro.

Apesar de músicas como Head Like a Hole, Terrible Lie ou Sanctified, o álbum pode não ter o mesmo grau de qualidade musical vista nos Halos seguintes, mas tendo em conta o background do então com 24 anos Trent Reznor, seria o mesmo que ter um músico saído dos Morangos a fazer qualquer coisa de jeito.

Loveless (My Bloody Valentine, 1991)
O que é para muitos o album definitivo em shoegaze, a banda liderada por Kevin Shields conseguiu criar uma parede sonora impressionante embora bastante menos áspera e harmoniosa (a que a voz de Bilinda Butcher não é de todo alheia) que os já mencionados percursores do género, The Jesus and Mary Chain em Psychocandy. Em termos de faixas, Only Shallow, Come In Alone, Sometimes, Blown a Wish, To Here Knows When e I Only Said encabeçam o que será por ventura o melhor album dos anos 90.

Nevermind (Nirvana, 1991)
Eis o álbum que marcou toda uma (ou uma e meia) gerações. Apesar de continuar a achar que o grunge não era muito mais que punk com roupas de lenhador (porque faz um frio do caraças em Seattle), este é daqueles álbuns que começa bem (embora com uma meia na boca) com o hino dos X’ers Smells Like Teen Spirit, seguindo com In Bloom. Como todos os bons álbuns vão além das duas primeiras músicas, Nevermind conta ainda com Lithium e Polly e Come as You Are para fazer o que é, sem dúvida, um dos melhores álbuns dos early 90s.

Daydream Nation (Sonic Youth, 1988)
É difícil resistir a um álbum quando começa com uma música do calibre de Teenage Riot seguindo-se com Silver Rocket. Um dos melhores exemplos do rock alternativo americano dos anos 80 (isto para não dizer directamente o melhor), é com os seus 70 minutos outro daqueles álbuns que se têm de ouvir de uma ponta à outra para ser devidamente apreciados. Pelo meio, encontram-se outros clássicos como Hey Joni, Total Trash ou Candle, mostrando que mesmo nos EUA havia boa música nos anos 80 – desde que se soubesse onde procurar.

The Queen is Dead (The Smiths, 1986)
Entre este e o Meat Is Murder a escolha era difícil, mas a maior coesão do álbum, juntamente com a incrível popularidade entre os fans (e vamos ver, o facto de o ter ali também conta) garantem a escolha. Com músicas como The Queen Is Dead, I Know It’s Over, Bigmouth Strikes Again e obviamente There is a Light That Never Goes Out temos um dos percursores do indie rock em toda a sua força e os Smiths no seu melhor.

E como celebração dos 10 anos sobre a morte da princesa Diana, vamos todos traçar paralelos entre a sua vida e o album.

Substance (New Order, 1987)
Sim, é uma compilação. Mas é uma que coloca hinos como Temptation, Blue Monday, 1963 ou Thieves Like Us junto com o que melhor que o grupo fez publicado em album (State of the Nation, Bizarre Love Triangle) com a original True Faith, para não falar das versões distintas que aqui aparecem como é habitual nas releases dos New Order.

Brothers in Arms (Dire Straits, 1985)
Um dos melhores (e mais bem sucedidos) albuns dos anos 80 é esta obra prima de Mark Knopfler. Mais conhecido pelo staple em tudo que é programa de videoclips dos 80s que é Money For Nothing, inclui outras músicas como Walk of Life, So Far Away e obviamente, Brothers in Arms. Como curiosidade, foi o primeiro álbum em CD a quebrar a barreira do milhão de unidades vendidas.

Rendez-Vous (Jean Michel Jarre, 1986)
Ah, dos tempos em que o Jarre significava música electronica de qualidade em vez das… “coisas” a que se decidiu a fazer ultimamente. Em linha com o seu trabalho anterior, é mais uma mostra da capacidade em criar sons trabalhados do início ao fim, quase completamente dominados por sintetizadores.
Quatrième Rendez-Vous (que diga-se, é bem capaz de ser uma das maiores músicas de estádio de sempre, o que levou ao seu remix pelos Apollo 440 para servir como música de introdução em muitos génericos para o Mundial de 98) , Premier Rendez-Vous e é impossível não referir a Harpe Laser em Deuxième Rendez-Vous. Pode não ser um Oxygéne (mas diga-se, nem que ele ficasse 100 anos a compor fazia outro igual), mas depois do excelente Les Chants Magnétiques, é este que completa o meu pódio.

Souvlaki (Slowdive, 1993)
A par com o Loveless, este será o outro dos albums definitivos do shoegaze, e ao mesmo tempo a última grande release no género, já quando o som passava de moda a favor do Britpop dos Blur, Oasis, Swede ou Pulp. Mesmo assim, tem todos os elementos que fazem do género um dos musicalmente mais trabalhados no início dos anos 90, e músicas como a fantástica Machine Gun, Souvlaki Space Station e Alison guarantem uma boa experiência.

Greatest Hits I (Queen, 1993)
Um dos problemas em escolher um album dos Queen é simples: em cada álbum, entre duas e três músicas clássicas existe o que se chama “filler”, e não é à toa que as compilações Greatest Hits I, II e III são o produto mais fácil de encontrar da banda, e por isso, para evitar ter que escolher às cegas, da mesma forma que o Substance resume bem os New Order, esta edição da Hollywood inclui hinos de estádio como: We Are The Champions, Another One Bites the Dust, Killer Queen, entre muitas outras sublinhando o melhor que a banda liderada por Freddy Mercury fizeram. Apenas uma falha grave: a ausência de Bohemian Rhapsody.

The Joshua Tree (U2, 1987)
Fui aconselhado a colocar o álbum aqui para evitar ter fãs de U2 a tentar arrancar-me a espinha pela frente. As duas primeiras músicas até são bastante boas (Where the Streets Have No Name e I Still Haven’t Found What I’m Looking For), por isso nem me sinto culpado de todo por o meter aqui às cegas.

A próxima edição certamente será melhor. Ultravox, Gary Numan (dos tempos em que era bom), Joy Division, Clash e por aí fora garantem-me mais certezas.

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