As desventuras do Chanceler Silva na Fnac

Era altura de comprar um CD. A escolha, essa, já havia sido feita há algum tempo e caía no Bummed dos Happy Mondays, que ainda há pouco tempo elegi como um dos melhores albums entre 85 e 93 (ou qualquer coisa assim). Apesar de não ter reservado quando passei por lá para comprar o CD dos New Order, não era a primeira vez que atiravam um CD sem stock para as transferências entre lojas, por isso, lá fui com esperança que estivesse por lá.

As coisas começaram a ficar estranhas no caminho, com, por algum motivo, olhares na minha direcção. Entre as possibilidades estavam a) o cabelo estava ridiculamente levantado b) o pequeno corte na testa causado por uma bandeira cadente do topo da estante estava a verter c) a forma como estava vestido tinha algo de espectacularmente errado ou d) toda a gente viu o blog do Markl e pensou “porra, quem é aquele gajo que parece que saiu de um buraco?”, ficando com uma forte impressão minha, tal Bigfoot.

Ou nenhuma das acima indicadas. Mas a tentação de passar pela Pull and Bear e levar alguma coisa para o vestiário (coisa que muito certamente ia poder escapar sem comprar com um “mangas curtas” ou “demasiado apertado”) e ver se estava alguma coisa anormal. Mas adiante. Chegando à Fnac, após esse verdadeiro cross-country provocado pelas obras, e indo quase directamente para a secção de música, é óbvio que não estava por lá (embora “óbvio” seja muito vago para uma coisa que pode estar em “alternativa”, “anglófona” ou “dança”. Como ainda era cedo, e ainda não tinha tomado a minha dose de música em algum tempo (porque ainda não me deu para comprar um leitor de MP3), lembro-me de pegar no Substance dos Joy Division e ouvir o minutinho reservado para a Atmosphere (para a sensação auscultadores Fnac, por favor insira cinco lenços de pano e um lençol em cima das colunas, que meter a 32kbps não chegou).

Eis o que a certa altura estava a ouvir, enquanto segurava o CD:

Vais… para a choldra…
Sacaste-me… em MP3…
A tua pena… 5 anos…
Por cada Giga que tens… no disco…
Vais para a choldra…

Aos que certamente vão dizer “é por gajos como tu, que
pirateiam CDs a torto e a direito, que a Factory
deu o berro”, deixo a versão que realmente
acabou com a Factory:

Hoje… não te vi no bar…
A casa está cheia… os DJs começaram…
Não… não fui…
Hoje não bebi… comprei ecstasy
Por isso… não bebo…

Com isto a ecoar na cabeça, e a imagem alternativa não menos alucinada do CD a cantar a música virado para mim, o resultado só podia ser um:

substance_jd_3.jpg

Pois bem. Entre encontrar caras familiares que por acaso até é sempre um prazer rever (memories of better times) e ter reservado o CD dos Mondays algures para a próxima semana, nada como voltar de autocarro com o ecoar incessante de galinhas no 704. Não que estivessem as ditas cujas lá, mas acredito que toda a gente sabe do que me refiro.

Sim, mulheres de meia idade A FALAR ALTO DAS SUAS VIDAS NUM AUTOCARRO CHEIO DE GENTE COMO SE ALGUÉM SE INTERESSASSE. Prontos. Já disse. Que se lixe a cortesia.

E agora, a pergunta: como fechar um post destes? A verdade é que não tenho nenhuma ideia, por isso aqui fica uma resposta a quem me disse “Os New Order não te saem da cabeça”. Eis porquê:

no_nacabeca.jpg

Posted Sexta-feira, 15 Junho 2007 by Silva in Bandalheira, Musica

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