Sachola Media: Volume 1

E após algum tempo de espera, nesta primeira edição da Sachola Media, vamos passar em revista quatro álbuns, um deles algo de muito estranho. E pelo caminho, destruir a minha reputação enquanto jornalista de música. Duvido que tenha uma, mas assim fica destruída de qualquer forma.

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Asobi Seksu – Citrus (2006)

Oh sim. Para surpresa de todos, vamos começar com um álbum que não é mais velho que eu. Ou que qualquer pessoa que esteja a ler isto. A não ser que o plano de criar bebés com QI 150 tenha resultado. E aí, preparem-se para fugir para as montanhas. PARA AS MONTANHAS!

Onde é que ia? Ah sim. Asobi Seksu, uma banda recomendada no forum do Blitz (graças a quem, directamente ou indirectamente comecei a ouvir The The e recomecei com os Smiths) há pouco menos de quatro horas. Pelo nome, é daquelas coisas que uma pessoa já faz uma ideia do que se refere. Quando se diz que estão na mesma linha dos My Bloody Valentine, então a ideia confirma-se. E sim, é qualquer coisa como “playful sex“, diz a Wikipedia.

Estamos aqui presentes no que poderia ser bem um disco dos MBV, entre o EP Sunny Sundae Smile (o tal com a letra I’m gonna make your mouth a sunny sundae smile – sim, sticky fingers, dirty minds sem dúvida) e o primeiro álbum, Isn’t Anything (Feel the big happy, you’re exploding me. Caraças, quase que estou a ver o Kevin Shields a dizer “com muito gosto! vou só buscar o casaco“). É bem sabido que não gosto de bandas que se limitam a imitar o que foi feito antes, e os Asobi Seksu evitam isso com uns ritmos bem conseguidos, uma produção bastante cuidada (o segredo para o Loveless ser o monstro que é) e uma curiosidade: é sabido que as vocals dentro do género são essencialmente harmónicas – aqui alterna-se o inglês com o japonês liberalmente com resultados bastante impressionantes, e mais impressionante ainda, sem parecer J-Pop. É um album do caraças.

Shoegaze lives on! Agora venha 2008 com os rumores do regresso dos mestres a tornarem-se realidade. 4/5

The Stone Roses – The Second Coming (1994)
Happy Mondays – …Yes Please! (1992)

Um dos raros casos em que posso escrever praticamente o mesmo para dois álbuns artistas diferentes que marcaram a mesma era da música – Madchester. Para quem acha que as drogas ajudam a criação musical, estes dois são umas belas respostas a essas pessoas: Nada mais que cinco anos após um brilhante “The Stone Roses” (que muito estupidamente deixei de fora na minha lista), os Stones Roses saem-se com isto. Já os Mondays só precisaram de dois anos após o igualmente brilhante “Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches ” para enterrar a Factory.

Ambos os trabalhos merecem uma sachola grande. Em cima da cabeça dos respectivos autores. 1/5

The JAMs – 1987 (What The Fuck Is Going On) (1987-duh)

Um viníl mítico, dos rapazes que cinco anos mais tarde saíram da indústria da forma que eu quero sair da blogosfera: com explosões, tiros e ovelhas mortas em frente a uma audiência de milhões de pessoas. Com uma voz a dizer “O Chanceler Silva acabou agora de sair da blogosfera”, mas em vez de uma banda de thrash a tocar a minha versão especial da Stella Was a Diver and She Was Always Down, queria com os The Jesus and Mary Chain da era Psychocandy a tocar no volume dos My Bloody Valentine da altura do Loveless. Já sabem: da próxima vez que eu disser que vou acabar com isto, se não for assim, NÃO acreditem.

Quanto ao disco, pode ser resumido de uma forma: Imaginem que um dia acordam com vontade de fazer um disco de hip-hop (do tempo em que tinha piada), têm um pronuncia entre o sul-africano e o escocês, um drum machine e para terminar, um sampler e muitos discos de vinil. E letras tão fascinantes como “when the cancer is a killer, John Player wins a lead, with masters of the universe, and designer death, they all be talkin’ about Princess Di’s dress, yes, this is a very nice dress“. E não estou a inventar. Para ser honesto, o mérito musical disto é limitado. Mas só por ser tão ilegal (que até acabou queimado numa quinta na Suécia e atirado borda fora algures no Mar do Norte), tudo o que usar samples tem que bater isto. Por maior que seja a aberração sonora.

A melhor parte é que podem ouvir isto à borla. Duvido que seja legal, mas quem queima 1 milhão de libras por livre vontade não deve ligar muito à pirataria. Já os Abba… §/5

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Para terminar, uma homenagem a um rei. Aliás, a dois ao mesmo tempo.

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Posted Terça-feira, 14 Agosto 2007 by Silva in Sachola

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