Volume 2: Sound, Tears, Suede e Muse

Ou em português, Som, Lágrimas, Camurça e Musa. Tal como prometido, esta segunda edição da Sachola vai analisar da pior forma possível quatro dos últimos CDs que comprei: Dutch Radio Recordings #2 (09.04.82 Utrecht No Nukes Festival) dos The Sound, Here Come The Tears dos The Tears, Dog Man Star dos Suede e Absolution dos Muse

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Shall we start?

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The Sound
(Renascent, 2006)
09.04.82 Utrecht, No Nukes Festival

Volume dois da colecção Dutch Radio Recordings composta por cinco CDs, a segunda edição será um bom ponto de partida pela intensidade da performance de Adrian Borland no festival No Nukes, na cidade de Utrecht, e para continuar a referir o óbvio, a 9 de Abril de 1982. Entre os cinco disponíveis, este foi o escolhido pois era o único do qual já tinha algum conhecimento base, a partir deste videoclip que retrata bem a intensidade (ou segundo dizem, o estado de embriaguez) do frontman dos The Sound. Mas enfim, é destas loucuras momentâneas e da interacção com o público que tornam os concertos memoráveis, e não versões ligeiramente diferentes dos takes de estúdio.

O facto de ser apenas um sleeve de cartão retira algum valor (mais difícil de armazenar, menos protegido contra azares, etc), mas esse valor é atenuado por um factor. Conforme confirmado foi-me confirmado pelo PR da Renascent, todos os CDs desta colecção incluem um pequeno brinde: neste caso, uma réplica do backstage pass do festival. Noutros CDs da colecção pode-se encontrar um panfleto, dois bilhetes e outro backstage pass. Não perguntei em quais, mas acredito que não saber o que está dentro do “ovo” é parte do charme.

Gravações ao vivo são sempre problemáticas: entre som de má qualidade e problemas de mistura, pode acontecer muita coisa, mas a verdade é que um concerto com uma playlist do melhor que a banda tinha em 1982 junta-se uma qualidade sonora bastante apreciável. Acessível por menos de 10 euros, é uma boa alternativa (legal) a quem quiser conhecer a banda sem gastar acima de 20 euros (com tendência a subir, agora que a Renascent já perdeu os direitos de re-edição) nos álbuns de estúdio.

4/5

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The Tears
(Independiente, 2005)
Here Come The Tears

O Dog Man Star, considerado a obra prima dos Suede trouxe um sabor agridoce aos fans: se por um lado incluía músicas que viriam a fazer parte do melhor feito nos anos 90, por outro a tensão entre Brett Anderson e Bernard Butler acabava com o último a sair por entre muita coisa a voar e a acertar em ventoinhas. Mas se há coisa que acaba por curar tudo (menos nos Stone Roses e nos Smiths, felizmente) é o tempo, e 10 anos após o acidente, cá se juntaram com o pouco emo nome “The Tears“, com um álbum chamado “Here Come The Tears“. Já disse que o Brett Anderson usava uma franja gigantesca? Pois bem, são tudo coincidências, por isso (pela terceira vez) podem guardar as headlines “Silva converte-se ao emo“.

Sem seguir no brilhantismo dos dois álbuns inaugurais dos Suede, Here Come The Tears é mesmo assim um exercício interessante e uma oportunidade única de ver uma das duplas que marcou o início dos anos 90 de novo em acção. Não é um regresso em forma, apesar de algumas músicas como Refugees e Lovers (singles), Apollo 13, Two Creatures ou Imperfection até podiam passar como B-Sides dos Suede. Apesar de até sentir um nózinho no estômago a apertar cada vez que digo que gosto de uma música com o verso “Oh yes if you follow me, I will follow you to the unknown“. Brrr.

3.5/5

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Suede
(Nude, 1994)
Dog Man Star

Até que ponto é aldrabar colocar este álbum depois do filho único dos Tears? A verdade é que não sei, e tendo em conta que mesmo com todos os atraso, como não me lembrava de nada para dizer sobre os Inspiral Carpets, isto vai ter que servir. Um dos álbuns definitivos do Britopop e por extensão, dos anos 90 e o “canto do cisne” de Bernard Butler na banda, o que obrigou a recrutar o então com 17 anos Richard Oakes para a tour do álbum e uma alteração dramática no som no álbum seguinte dois anos depois (Coming Up, também com Neil Codling nas teclas) .

Para começar, prometo que não vou referir o hook lick riff hook lick hook aquela partezinha da guitarra na Heroine até caírem todos para o lado, ok? Bastante mais negro e pesado que o seu antecessor e o restante panorama Britpop dominado pelos Blur e os Oasis e com menos golpes de guitarra que fazem pensar “mas como caraças foi ele fazer isto?” acabou falhar o assalto ao topo das tabelas, mas sem que haja uma música mais fraca pelo meio, tal qual um bom álbum deve ser.

A começar com um Introducing the Band e a terminar com a Still Life, que vai subindo o ritmo até acabar com um estouro, apesar de menos acessível que Suede e Coming Up acaba, enquanto álbum, por ser a melhor obra dos Suede, e mais de 10 anos após a sua saída ainda merece uma escuta atenta. Quanto mais não seja por músicas como a We Are The Pigs, The Power, New Generation, e obviamente a Heroi… <snip>

5/5

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Muse
(Mushroom, 2003)
Absolution

Muse. Sinónimo de bons álbuns, caros comó raio que os parta, grandes performances ao vivo, álbuns raios como caroças e err… perdi-me. Ah, sim, mas encontrei este a um preço simpático. Uma visão do Apocalipse conforme vista pelo Matt Bellamy,

Tem o seu não sei quê cómico estar a olhar para o relógio para ir para a cama, e começar a tocar uma música do calibre e titulo Time is Running Out, muito provavelmente a melhor do álbum. Os fãs de guitarras mais pesadas certamente irão encontrar abrigo na igualmente boa Stockholm Syndrome ou na Hysteria. De resto, é um álbum dos Muse – bastante pretensioso com conceitos saídos da cabeça do Matt Bellamy (agora calhou de escrever “Marr Bellamy”, mas não me parece ter muito a ver), muitas sequências de falsetto, mas um som que muitas bandas de quatro ou cinco elementos (ou 29, se quiseremos chamar os I’m From Barcelona ao barulho) teriam dificuldades em conseguir.

Melhor que o Origin of Symmetry? Talvez não. Mas por outro lado, não tem a Micro Cuts. Mas é melhor que o Showbiz (embora seja difícil fazerem algo que não seja) e leva uma pequeníssima vantagem sobre o Knights of Cydonia. Ou talvez desvantagem. Quando fizer a review a esse, vamos todos descobrir.
Já disse que comprei este enquanto esperava pelo dos Suede? Lá na loja devem ter ficado à espera que fosse comprar um de Placebo a seguir…

4/5

Na próxima edição: Inspiral Carpets, e um grande talvez para os Smiths, White Rose Movement e praí Boards of Canada. Ou Nine Inch Nails, para quebrar a britanocracia que reina nisto. Ou Suede outra vez. SÓ PORQUE ME APETECE.

Posted Sexta-feira, 14 Setembro 2007 by Silva in Sachola

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