Sachola 3: Inspiral Carpets, Suede, WRM, NIN

E nesta terceira edição, mais quatro álbums: Cool As dos Inspiral Carpets, Head Music dos Suede, Kick dos White Rose Movement e Year Zero dos Nine Inch Nails.

sachola_03.jpg

Que giro, troquei a ordem das imagens. Bem, que se lixe.

 

Head MusicSuede (Nude, 1999)
Head Music
3/5

Ao terminar a década que os viu nascer, os Suede já não eram bem a banda que tomou as charts de assalto com os primeiros singles e o álbum homónimo, tendo a saída do guitarrista Bernard Butler, substituído por Richard Oakes e a entrada de Neil Codling como teclista alterado o som da banda, como foi visto em Coming Up. Três anos depois, essa diferença acentua-se ainda mais com a entrada de Steve Osborne (mais conhecido como o produtor de Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches dos Happy Mondays), e este Head Music acaba por mostrar uma coisa: se os tempos dos álbuns que se devoravam de uma ponta à outra acabou com Coming Up, o material de Single (saíram quatro) continua excelente.

A começar com Electricity, provavelmente o mais perto que Brett Anderson esteve de fazer uma música de dança e um dos melhores singles da banda, a qualidade continua com músicas como Savoir Faire e o ritmo contagiante de Can’t Get Enough (é difícil bater palmas e um “woooooohooo”) a contrastar com a acalmia de Everything Will Flow. No Meio do álbum, entre algumas músicas esconde-se She’s in Fashion e Elephant Man com o seu ritmo paquidérmico. No bom estilo Suede, não podia faltar o quase innuendo, e aí temos a faixa que deu nome ao álbum, com o refrão “Give me head, give me head, give me head music“. No entanto, para o final do álbum começa a instalar-se e algum cansaço: Hi-Fi (demasiado perto dos Depeche Mode para ser confortável), Indian Strings é demasiado parecido com o (ilustre) passado e aparece aqui algo deslocado, e quando se chega a Crack in the Union Jack já não há muita atenção para o que sai do CD

Longe de ser o primeiro mau álbum da banda, combinando o melhor de Coming Up com o deste Head Music teríamos com certeza um álbum excelente e alguns dos melhores B-Sides de sempre.

KickWhite Rose Movement (Independiente, 2006)
Kick
3.5/5

Se por um lado os anos 80 são quase sempre lembrados como a década em que a música morreu, bastam cinco minutos para reparar que o chamado “pop” é que sofreu atropelos atrás de atropelos, e o rock continuou firme como sempre. Quase directamente do new-wave-a-dar-para-o-post-punk (isto vai dar cabo da formatação) com tendências electro-clash sai de Norfolk o álbum de estreia dos White Rose Movement, que haviam prometido fazer impacto com o single Love is A Number.

Com faixas em geral com menos de quatro minutos cada, é garantido que não se tornam redundante e aborrecidas. Enquanto os quatro singles – Love is a Number, Alsatian, Girls in the Back e London’s Mine – têm uma qualidade notória que não envergonha ninguém e mesmo outras como Kick, Deborah Crane e Speed estão longe de servir como filler, a verdade é que não há aqui nada de terrivelmente inovador: limita-se a ser um som giro, mas em geral inofensivo.

No final, acaba por ser uma viagem agradável, mas algo desprovida de conteúdo. Tal como um prato de tofu (olá Ana :P) que se pode repetir vezes sem conta sem se sentir cheio, este Kick tem o mesmo efeito: bom de ouvir, mas francamente vazio. Ouvir sem grandes expectativas para uma boa surpresa – subir a fasquia para uma desilusão.

Cool asInspiral Carpets (Mute, 2003)
Cool As
4/5

Antes do mais, confesso que antes de comprar isto o meu conhecimento dos Inspiral Carpets resumia-se a uns vídeos no YouTube e a This Is How It Feels. Seja como for, esta compilação de dois CDs mais um DVD é uma excelente mostra retrospectiva do trabalho de uma banda, e deveria ser o mínima exigível para um trabalho destes.

O primeiro CD, Cool As foca-se nos hits e músicas mais populares da banda, com a já referida This is How It Feels, Move ou Keep The Circle Around a demonstrar um lado mais influenciado pelas harmonias do rock psicadélico dos anos 60 que os seus contemporâneos. À medida que a scene ia perdendo fulgor, a banda continuou também noutros sentidos como é visível em músicas como Two World Collide, e apesar de alguns momentos menos inspirados e a duração bastante longa (cerca de 74 minutos) ouve-se sem grandes problemas. O “novo” single (na verdade, uma música de 1995 que havia ficado na gaveta), Come Back Tomorrow acaba por ficar um bocado a destoar de tudo, e é um final um bocado embaraçoso para o disco. O segundo CD, Rare As inclui raridades e b-sides varios, dos quais se destaca a cover de Tainted Love, mas enquanto faz um bom acompanhante ao primeiro CD, acaba por não ter a qualidade de material que os Jesus and Mary Chain, Smiths ou Suede disponibilizam para compilações semelhantes. Por fim, Spool As, o DVD, inclui nada mais nada menos que 18 videoclips, 7 clips ao vivo do concerto de 1990 dado no GMex em Manchester, e uma entrevista com a banda feita para o DVD, e este disco acaba por ser um dos maiores “selling points” da compilação.

Apesar de não me poder pronunciar muito sobre a escolha musical (embora parecem-me escolhas sólidas), a verdade é que isto é o best-of/compilação mais completo que tenho aqui, e um bom modelo para agradar aos fãs – não tanto às editoras que sempre podiam vender o material em três edições separadas (aliás, o primeiro CD está disponível como o Greatest Hits da banda lançado no mesmo ano). Embora estivessem num plano inferior aos Stone Roses e Happy Mondays, acaba por ser um documento fundamental para quem quiser captar a música britânica do final dos anos 80 e início dos 90.

Year ZeroNine Inch Nails (Interscope, 2007)
Year Zero
4/5

Uma pergunta: como é que alguém conhecido por ser tão antagonista da indústria promove um álbum? Simples, um Alternate Reality Game para a que será uma das mais determinadas fanbases online e músicas “esquecidas” em pens USB nos concertos (cujos MP3 mais tarde iriam ser “perseguidos” pela editora).

O som dos Nine Inch Nails tem-se vindo alterar com o tempo, e este acaba por demonstrar a capacidade de Trent Reznor em produzir um álbum de uma ponta a outra, com momentos musicais de primeira como The Beggining of the End, Survivalism, Me, I’m Not, My Violent Heart, The Great Destroyer ou o hino ao fim do mundo tal como o conhecemos, In This Twilight. Gravado essencialmente “na estrada”, acaba por ser o álbum menos introspectivo dos Nine Inch Nails: menos de “eu eu eu” e mais de “olhem para o que está a acontecer” mostra um Trent Reznor que já deixou os vícios para trás., tendo uma preocupação genuína evitando a linha do “anti-americanismo calculado” (citando Brandon Flowers dos Killers).

Um bocado uma anormalidade no panorama de Trent Reznor, por terem passado apenas dois desde With Teeth, o conceito em Year Zero acaba por ir um pouco além do álbum. Enquanto musicalmente fica além de um The Downward Spiral ou do The Fragile, este pode ser o princípio de um projecto que vá muito além da música. Sem dúvida, algo a ter na estante, quanto mais não seja pelo CD que muda de cor.

Posted Quinta-feira, 27 Setembro 2007 by Silva in Sachola

Tagged with , , ,

%d bloggers like this: