Asobi Seksu @ Casa da Música, 1-12-2007

asobi_studio.jpgDizia eu no final de Outubro passado que se não ia a este era um rato. E quase fui. Mas lá acabei por não ser, e com a bela Shadowplay na cabeça, lá fui a pensar em “To the center of the city in the night” , com o belo do nevoeiro espesso e a rua deserta à custa do clássico, a atmosfera joydivisiana era completa. Isto para um concerto que se previa tudo menos isso. Go figure. Como a minha experiência de andar de autocarro de noite não existe desde 2003, quando deixei de ir à bola, fui para o acontecimento algum tempo antes: três horas antes da entrada. (sim, três). Era de esperar que a Casa da Música tivesse alguma coisa de jeito para ocupar o tempo, mas tirando alguns Macs com um programa de cacofonia virtual (que serviu para algumas experiências no campo dos Boîte Diabolique 1982), e o livro que era suposto ter levado ficou em casa, serviu para conhecer melhor os interiores da instalação. Que são, no mínimo, interessantes, como a parte em que o acesso à Sala 2 (onde ia decorrer o concerto) poder ser acedido ou por escadas rolantes ou por elevador… mas para sair, de lá, só de elevador. Funny stuff.
Indo directamente ao concerto (já que há que dizer, não se passou mais nada), convém dizer algo que me deixava preocupado: não sendo um grupo propriamente conhecido em Portugal, mas do qual já sabia que ao vivo seguiam os ensinamentos do shoegaze, temia que no sentido de promoverem o álbum talvez cortassem um pouco no ruído, o que ficou bem claro que não ia acontecer quando era visível um microfone junto a um dos amplificadores. Colocado estrategicamente front row center mesmo em cima do palco a menos de dois metros da vocalista Yuki e o seu teclado, a banda não desiludia aqueles que esperavam um dos nomes que não deixavam o shoegaze morrer: som alto e feedback, o que criava alguns problemas com as vocals (principalmente com Hanna) e quando falava com o público, apenas com uma diferença: James Hanna não tem medo de “dar asas” à sua guitarra – não será um Aaron North, mas quem ficou junto do lado direito do palco não perdeu nada por estar um pouco mais afastado do centro do palco.

A começar com New Years, provavelmente a música mais conhecida da banda, a banda apresentou essencialmente as músicas mais fortes de Citrus, como Thursday, Goodbye ou Strawberries, sempre com o som bem alto e um ambiente psicadélico obtido graças aos projectores. A excepção ao “domínio do citrino” seria I’m Happy But You Don’t Like Me, que Yuki apresentava dizendo “hoping that you like me“. Há dúvidas? A apoteose viria no jam final de Red Sea, com a vocalista Yuki a subir para a bateria, Ben Shapiro a dar um espectáculo de um homem só com uma baqueta na mão e a segurar um prato na outra (mesmo à minha frente) e as guitarras a emitirem uma quantidade enorme de feedback. No encore, o novo single da banda a ser lançado este mês, uma cover de Merry Christmas (I Don’t Want To Fight Tonight) dos Ramones, e era o final de um concerto que espero que seja repetido numa ocasião futura, desta vez num evento em nome próprio com mais de 45 minutos, talvez quando completarem o seu terceiro trabalho.

Autógrafos, e depois a bela da volta da Boavista até à Areosa a pé por causa da greve dos STCP. Agora doêm-me as pernas por causa dos saltinhos, e o pescoço por algum headbanging (agora que a adrenalina passou). Still, I Regret Nothing. Talvez só não ter levado mais dinheiro já que o artwork dos seus singles é fantástico (do mesmo autor de diversas capas dos Spoon e dos Interpol) e a Yuki fazia desenhos engraçados neles com os autógrafos. Estão a ver porque o vinil está a voltar? Ora peçam lá a um artista para meter um gatafunho num MP3…

Setlist:

    Asobi Seksu

  1. New Years
  2. Strawberries
  3. Goodbye
  4. Strings
  5. Thursday
  6. Pink Cloud Tracing Paper
  7. I’m Happy But You Don’t Like Me
  8. Red Sea
  9. Merry Christmas (I don’t want to fight tonight) – encore

Fotos do concerto: José Pedro Cardeiro

Posted Segunda-feira, 3 Dezembro 2007 by Silva in Musica

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