Rock Martyrs

Há dias mostraram-me um post dos blogs do Guardian sobre o papel por vezes intrusivo da imprensa na criação dos chamados mártires do rock, e da reacção do Thom Yorke a um artigo onde o autor do post perguntava-se na capa da agora desaparecida Melody Maker se o vocalista dos Radiohad estara a caminho de ser o próximo mártir da música, e anos mais tarde ainda guardava ressentimentos sobre a insinuação.

Este post iria passar em claro não tivesse encontrado precisamente a situação oposta numa das Select que comprei no mês passado, mais precisamente a de Agosto de 1996 (Ash na capa), onde a revista fazia uma retrospectiva ao longínquo ano de 1992 (na altura nem por isso – embora nesses quatro anos toda a indústria musical iria ficar virada do avesso com o boom do Britpop e desaparecimento quase súbito do grunge) , com entrevistas a membros de bandas shoegaze e baggy como os Slowdive, Charlatans, Ocean Colour Scene, The Farm, Boo Radleys, Soup Dragons (que consideram um dos seus pontos altos terem estado no Top 5 em Portugal), Curve e Mock Turttles e caracterizando-as conforme “sobreviventes” à vaga do Britpop e desaparecimento dos movimentos onde se inseriam ou não.
A banda em questão (e em destaque) são os Lush, considerados “sobreviventes”. Ninguém ousaria fazer deles mártires do que quer que fosse, mas a verdade é que Chris Acland, o baterista destes “sobreviventes” iria suicidar-se apenas uns meses mais tarde, a 16 de Outubro de 1996, levando a banda a um luto prolongado que iria ditar o seu final dois anos mais tarde.

É impossível “prever” estes mártires. Há 15 anos, poucos diriam que o Nick Cave ainda estaria vivo e a dar concertos e chegar aos 50 anos. Isto para nem falar do Keith Richards, que mais parece desafiar toda a lógica da tolerância humana para drogas (ou algumas, parece que já tem 90 anos e uma mente a condizer) enquanto outros como o Jeff Buckley desaparecem aos 30 anos em freak accidents.

Posted Sexta-feira, 25 Abril 2008 by Silva in Musica

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