Compras…

… e tempo para o sempre excitante (not) post de compras mais ou menos mensal.

compras_maio

A começar pelo mais antigo, Fox Base Alpha dos Saint Etienne, que tal como já tive oportunidade de dizer anteriormente, foi uma das bandas que fez a transição entre o Baggy e o Madchester do final dos anos 80 e a era do Britpop. Composto essencialmente por dois ex-jornalistas (Bob Stanley e Pete Wiggs) e a vocalista Sarah Cracknell, que apenas se juntou definitivamente à banda a meio da gravação deste primeiro álbum, e o reflexo disso é Kiss And Make Up, faixa que apenas aparece na edição americana do álbum, e antes de ser re-gravada para esse efeito, contava com Donna Savage (Dead Famous People) como vocalista na versão single:

Em seguida, o senhor da cara amarela: Os Black Grape, o projecto que re-habilitou Shaun Ryder e Bez “Bez” Bez após o flop de Yes Please e consequente dissolução dos Happy Mondays em 1992. Conhecidos pelos consumos de susbtâncias controladas em quantidades absurdas (se acham a Amy Winehouse má, então não conhecem bem a história dos Happy Mondays), poucos previam que Shaun Ryder sobrevivesse ao final de Madchester, mas não só sobreviveu como em 1995 lançou um dos melhores álbuns do ano: It’s Great When You’re Straight… Yeah, que assinala a sua presença no auge do Britpop. A construir sobre o som dos Mondays no seu auge, às letras bizarras de Ryder (“Don’t talk to me about heroes, most of these men sing like serfs“) juntam-se os raps de Kermit. Enquanto é difícil falar de “surpresa” (afinal de contas, os Happy Mondays serão sempre os Happy Mondays), é um álbum que ficou algo injustamente esquecido entre o media buzz de The Great Escape e (What’s The Story) Morning Glory? dos Bluroasis. Segue-se In The Name Of The Father:

Entre os dois, à esquerda, está um que é culpa exclusiva do Sr. Engenheiro. Numa conversa nocturna pseudo-embriagada o nome do “Rock ‘n’ Roll Animal” veio ao de cima, segundo as palavras do Sr. Enge, “não é música nem nada“. Depois de ter dado uso à fonte de pirataria mais próxima, descobri que esse trata-se de um disco ao vivo, onde algumas músicas dos Velvet Underground recebem um tratamento glam por parte de Lou Reed. É certo que alguns fãs dos Velvets isso podia cair um bocado mal, mas daí até não ser música… Seja como for, deu-me vontade de ver mais, e depois de descobrir que o Bowie e o MIck Ronson estiveram envolvidos num deles, não tardou até ouvir o Transformer, que por si só causou a expansão da lista de melhores álbuns até 1970. de tão bom que é.
Depois mais tarde o Sr. Enge reparou que o que “não era música nem nada” era sim o Metal Machine Music, que apesar de já ter ouvido duas vezes e até lhe reconhecer algumas qualidades, de facto não é bem música. Mas tendo em conta que já ouvi vezes sem conta a discografia dos Velvets e nunca tive curiosidade no Lou Reed, não posso acusar niguém de nada. Vicious, ao vivo em Paris, 1974:

Indo do que é um dos álbums mais antigos na minha colecção (será o terceiro ou quarto mais, talvez) para o mais recente; após se terem esquecido de trazer os álbuns para o concerto do Porto, o sistema de “mailing” dos Riding Pânico funciona na perfeição para uma semana depois do concerto ter aqui o Lady Cobra, o primeiro LP da banda. E que belo CD que é – apesar de não captar a intensidade ao vivo dos 6, cumpre aquilo tudo a que se propõe no MySpace da banda: Their universe is one of high musical density where melancholic textures, dissonant gestures and layers of guitar loops work together to blur the lines of their own identity. Their sound invites you to ride through this lush atmosphere of stillness and motion. The storm is you. E para mostrar isso, fica aqui E Se A Bela For O Monstro, a faixa de abertura deste álbum:

Agora resta saber porque os CTT cobram mais a enviar da Amadora para Gondomar que o Royal Mail de qualquer ponto do Reino Unido para cá…

Outro CD que deu entrada aqui foi o 3.0 dos Safri Duo, numa transferência ditada pela Lei Bosman. O primeiro CD “mainstream” do duo Dinamarquês foi dos meus preferidos há uns anos. Mesmo ouvindo agora, ainda gosto da mistura de música de dança de Michael Parsberg com a percurssão clássica de Uffe Savery e Morten Friis – ou talvez seja o meu cérebro a tentar enganar-me por ter ali um álbum e três singles. Seja como for, esse “amor” morreu em 2003, quando lançaram este mesmo álbum. Uma das coisas que mais gostava neles era o facto da música não ter a letra a “atrapalhar” (tirando uns tímidos “Baya Baya” na música com o mesmo nome), mas infelizmente já não é o caso no 3.0. Entretanto, já tinha partido para outra: por essa altura já estava a ouvir Pink Floyd, Velvet Underground e outros que tais. Apesar disso, quando tive a oportunidade de trazer este de borla, pensei “porque não”. E cá está ele. Agora é uma questão de arranjar disposição para o (tentar) ouvir de novo e saber se a desilusão que tive há 5 anos foi justificada ou não.

No final da semana passada decidi-me a comprar dois álbums, mas um deles ficou pelo caminho pela incompetência da CGD; não só é impossível fazer depósitos na Areosa a partir de Sexta, como o “máximo de 24 horas” é uma valente tanga. Entre as cinco horas que demoraram a disponibilizar o dinheiro perdi a oportunidade de fazer um negócio excelente com o Messages dos To My Boy, pelo que este irá ficar para outra oportunidade. Mas o que não ficou foi o Screamadelica, o álbum que colocou os Primal Scream definitivamente no mapa da música alternativa com a coroa de um dos discos mais relevantes da era Madchester/Baggy.

Não deixa de ser impressionante como o Bobby Gillespie pouco envelheceu entre este álbum e Evil Heat, o outro que comprei deles, e que por esta altura resumem o que me interessa da discografia bastante irregular deles. O “irmão mais novo” de XTRMNTR, Este “calor infernal” mostra da mesma forma que é neste ambiente mais electrónico que os Primal Scream mostrar tudo aquilo que são feitos, como é possível ouvir em Miss Lucifer:

Para terminar, não podia deixar de ser:

A última que faltava das “major releases” dos Suede, a brilhante compilação de b-sides e outros que tais Sci-fi Lullabies. Costuma dizer-se que a maior prova da capacidade de uma banda não é aquilo que coloca num álbum: é o que fica por fora por não haver espaço para tudo. E nisso, os Suede colocam-se no topo, principalmente durante a era Brett Anderson – Bernard Butler, que compõe grande parte do primeiro disco, enquanto o segundo é feito de temas já com Richard Oakes e Neil Codling. A verdade é que qualquer um dos discos não fica à sombra dos álbums dos periodos respectivos, e juntamente com eles mostra porque é que os Suede foram uma das maiores forças da música britânica nos anos 90.
Curiosamente, apesar do abuso de Chartreuse, este deve ser o melhor artwork para um trabalho dos Suede. Pelos menos as letras vêm-se bem (Head Music), a capa é bonita de se ver (Coming Up) e o livrinho não é estupidamente simples (Suede).

E por este mês é tudo. As próximas compras já estão planeadas: Aa (falo deles amanhã), To My Boy, Sigur Rós e Cat Power. Haja carteira para tudo!

Posted Terça-feira, 3 Junho 2008 by Silva in Compras, Musica

Tagged with , , , , , ,

%d bloggers like this: