Compras

Compras Junho

Lição #931: Nunca compro aquilo que digo que vou comprar. Mas compro muitas mais do que previa.

Como estou a escrever isto umas horas antes de ter na mão um dos CDs, não me vou referir à forma de como os discos estão na foto. E óbvio que podia fazer o favor de, depois de escrever, ter o cuidado de colocar os discos na ordem descrita aqui, mas… ganhem juízo. Podem sempre clicar na foto, ir ao flickr e ver os hotspots da imagem, por isso, desta vez o texto vai pela ordem de chegada. Ou quase.

Começando pelo single de 7″ dos KLF, a versão stadium house de Last Train To Transcentral, um dos singles que compõe a Stadium House Trilogy, e tal como tenho prometido a mim mesmo, tudo o que vir deles que não sejam compilações, compro. Nem sei (por motivos óbvios) se é esta a versão que está no plástico, mas aqui fica:

Uma compra quase por impulso foram dois dos Jesus and Mary Chain: Automatic e Sound of Speed. O segundo é a compilação de lados B e raridades que se seguiu a Barbed Wire Kisses, lançado cinco anos antes, e tal como este, é uma boa mostra das capacidades da banda, não ficando longe da qualidade do corpo de trabalho principal. O primeiro é talvez o trabalho mais polémico da banda. Limitados aos Reid (Gillespie tinha saído após Psycho Candy para se dedicar a corpo inteiro aos Primal Scream e Douglas Hart limitado a aparições ao vivo nos primeiros concertos da tour do álbum antes de sair definitivamente), o álbum foi gravado pelos dois irmãos com a ajuda de uma drum machine e sintetizadores em vez da bateria e baixo. O resultado é um álbum que por vezes soa a industrial – e sem grande surpresa, encontramos o quase omni-presente Alan Moulder a assumir a produção do trabalho, anos antes de imprimir o seu cunho pessoal em The Downward Spiral dos Nine Inch Nails. No entanto, o facto de não haver baterista não os impediu de meter alguém a tocar bateria no videoclip da Head On:

O achado desta semana é mesmo este: o single 12″ da edição original da World in Motion, o único single #1 dos New Order, com a colaboração do Keith Allen e foi a última entrega deles com a chancela da Factory. O “hino” da inglaterra para o Itália 90, conta com a presença de alguns jogadores da selecção no videoclip e  alegadamente a emprestar os seus dotes vocais para o lado B (muito apropriadamente chamado The B-Side, mas o que ficou na história foi mesmo o rap do médio do Liverpool John Barnes:

Durante algum tempo, fiquei indeciso entre comprar (ou não) o álbum de estreia dos Maps, We Can Create, porque achava que era um álbum a que faltava alguma consistência.Isso, no entanto, não era impedimento para achar que a You Don’t Know Her Name seja uma das melhores músicas de 2007. Após pensar bastante (cerca de 15 décimos de segundo), decidi comprar pela espantosa quantia de 1p o single, e enquanto chegava começava a apreciar cada vez mais o álbum, e até a perdoar essa falta de coerência, e assim, passou para a lista de álbuns a comprar. Como já meti a música ainda há poucos dias, segue-se outro single do mesmo álbum – o que vai causar um belo problema quando o comprar. Eh.

Num dos casos mais interessantes de bandas que reparo de locais improváveis, os Malajube fizeram uma entrada em força, mas muito mérito do acaso. Enquanto ia procurar o The Greatest da Cat Power na CDGo, parte duma promoção bastante jeitosa, dei por mim a procurar na estante de alternativa quando já parecia claro que alguém já tinha igualmente aproveitado a dita promoção. Enquanto  procurava no “M” precisamente pelo álbum dos rapazes acima mencionados, dei de caras com a capa branca com um autocolante escarlate com o nome dos rapazes e do álbum – Trompe L’oeil, de seu nome, e a um preço deveras modesto. O segundo álbum da banda, embora seja um pouco puxado chamar “álbum” a Le Compte complet de 2004 com os seus 30  minutos -nem isso- de som, os francófonos acérrimos da mesma terra que serve de “quartel general” ao maior fenómeno da música independente dos noughties apresentam um álbum que marca uma evolução claríssima sobre o veículo de Le Métronome (faixa chave do primeiro álbum). Ainda 100% em francês, as músicas finalmente evoluíram do um estado de quase “demo” para um dos melhores álbums a sair do circuito alternativo mais forte da década, e mais uma pérola saída de Montréal.
Após ter usado Fille à Plumes para apresentar a banda no post onde abordei igualmente os Howling Bells e os The Temper Trap e fazer de Montréal -40°C videoclip da semana passada, chega agora a vez de Patê Filo chegar às pseudo-airwaves deste tasco:

Se Montréal não é NY, o País de Gales não é bem Inglaterra, mas isso não quer dizer nada – prova disso são os Catatonia, a banda que em 1998 alcançava o topo após seis anos de existência (sim, quando era difícil) com International Velvet, o segundo álbum da banda. A combinar o som típico da altura (sem fugir a algumas experimentações) com as boas letras e algumas referências à pop-culture, cantadas pela voz  (e a pronúncia) inconfundíveis de Cerys Matthews, a banda elevava-se como uma das maiores referências do pós-britpop.
Se I Am The Mob é a minha preferida, a que “todos conhecem” só pode ser, claro está, Road Rage:

Comecei este texto a dizer que nunca comprava o que dizia, mas isso não é bem verdade -tinha dito que ia comprar um dos Sigur Rós, e assim foi. O primeiro foi o ( ), em promoção na CDGo. Que era, curiosamente, a par do Vón, o único que não tinha ouvido.

Segue-se o vencedor de um prémio da MTV, o videoclip para a faixa 1, Vaka.

Ainda ontem aproveitei o lanço, e comprei o que era o que estava a pensar há aproximadamente um mês: a obra prima da banda Ágætis byrjun, esta comprada usada, mas mesmo assim em bom estado. Assim se expia a culpa acumulada por uns bons 4 anos. Porque tal como digo, o principal “motor” que me leva a comprar CDs é mesmo a culpa. Segue-se Viðrar vel til loftárása, ou como gosto de lhe chamar, futebol juvenil na Itália, que por acaso é a primeira música que me lembro de ouvir deles:

Por fim, os Parallelograms.  Bastante obscuros, mesmo para quem já está habituado a ver por aqui algumas anormalidades como bandas twee de Nova Iorque e australianos sem um álbum editado, tudo tem uma explicação. Os Parallelograms editaram em Março um single a meias com os Pains of Being Pure at Heart (a Kurt Cobain’s Cardigan, para quem está curioso), e agora foram a edição de Julho da Cloudberry Records. Para quem não sabe (o que vamos admitir, equivale a 95% dos leitores disto), são uma indie de Miami que faz edições limitadas a 100 de Vinis de 7 polegadas e CDs de 3 de bandas twee ainda numa fase embrionária. Após os Pains terem sido uma das primeiras apostas, é a vez da banda de Sheffield editar o seu mini-EP de 4 músicas, sendo a versão disponível para amostra Without You, a primeira faixa do “lado B” do disco.

Como eles vendem isto a 5 dólares (incluindo portes), nem sei. Mas que vale a pena, isso vale, sendo agora o feliz possuídor do número 17/100 do mini-CD.

Em vez de fazer promessas vagas sobre o que se calhar vou comprar ou não, não vou dizer nada. Até porque estou a pensar em comprar um leitor de MP3, que é o equivalente ao meu orçamento mensal para estas coisas.

Posted Domingo, 6 Julho 2008 by Silva in Compras, Musica

Tagged with , , , , , , ,

%d bloggers like this: