Kings of Convenience na Casa da Música…

E de novo, um post neste tasco sobre música ao vivo. Evitei falar em fundo do concerto dos Riding Pânico por certamente haver gente muito mais qualificada para tal e sobre o da Cat Power porque foi um concerto para o qual fui completamente “às cegas”, mas gostei mais do que o suficiente para ser líder destacada dos últimos 3 meses no last.fm e ter aqui o belíssimo CD que é o The Greatest na minha mesa, à espera que cheguem mais alguns para um futuro post de compras.
Com os Kings of Convenience, já tenho algum “passado”, desde 2002, altura em que saiu o single que lançou os igualmente Noruegueses Röyksopp para um futuro de banda sonora de lojas da moda (e digo isto no sentido mais positivo possível, já que considero a minha primeira compra de música a sério). Remind Me, de seu nome, contava com a participação de um certo Erlend Øye a fazer as honras da voz na faixa que se transformou na imagem de marca da dupla Torbjørn Brundtland/Svein Berge. Também era uma altura em que seguia mais alguma da música do país como o electro pop dos Frost (fiquem com Amygdala) e, claro está, o indie folk dos Kings of Convenience. Mas o tempo vai passando, e à medida que ia conhecendo outras sonoridades, fui-me progressivamente deslocando para Oeste. E embora estivesse mais preparado para eles do que para a Cat Power, a verdade é que apesar de alguma insistência do Sr. C0rp0rat3 Honda, a única coisa que sabia sobre eles… é que gostava.

Para evitar mais uma conversa maçuda, vamos directamente para o acontecimento em si. Por cortesia do Blitz e da Optimus (e de já ter memorizado o número do BI e telemóvel entre outras coisas como ligar o computador na altura em que os concursos costumam aparecer >ehem<, voltei a por os pés num concerto bastante antecipado. Desta vez sem banda de abertura (ou num apontamento muito cínico, “bastante melhor do que abriu para Chan Marshall”), numa Sala Suggia a abarrotar, os primeiros aplausos da noite foram logo para a dupla Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe a tocar os primeiros acordes da noite. Ao contrário do que se passou no Coliseu, o som era perfeitamente audível, e felizmente que assim foi, já que Erlend Øye conta piadas, brinca com o seu companheiro de banda e mostra ser  completamente o oposto da frieza típica associada aos nórdicos. Após nas faixas de abertura terem tocado sozinhos em palco, fizeram-se juntar por um contrabaixo e um violinista de origem italiana e alemã, o que segundo Øye os transformava na “banda mais Europeia da Europa”, tendo partido para uma noite onde as músicas mais conhecidas da banda (a arrancar fortes aplausos do público a partir dos primeiros acordes) eram alternadas com muito do material que irá fazer parte do terceiro trabalho da banda, a ser editado ainda este ano.  Entre as músicas, o habitual elogio à cidade (que claro que não dizem isso a todas), mas a ir um pouco mais longe e a contar a história sobre ter passado a ponte no metro e confessado ficar impressionado com o panorama da cidade, e deixado uma mensagem que se vê muito esquecida por cá: “With great beauty comes great responsability, take care of it“.

O concerto continuava a bom ritmo, e nem o “treco treco” do telemóvel do violinista atrapalhava a banda que continuava imparável a mostrar o trabalho novo e a puxar do seu catálogo de música editada,sempre com um ritmo descontraído – ora a improvisar uma trompete (com gestos a acompanhar), ora a pedir para baixar a luz (afinal de contas, “It’s a dark song“), ora com Bøe perder a palheta de Øye e a pedir para ligarem a luz para a encontrar (“other angle, please“), ora a pedirem palmas ao público depois de demonstrarem como uma música era “chata” até mudar de escala e introduzirem mais uma guitarra no som. Já no final, Erlend Øye pergunta ao público se estavam cansados de estar sentados. Era a deixa para ordeiramente o público se dirigir para a frente do palco, onde a banda acabava o concerto, e após um curto salto aos bastidores, primeiro encore e após mais saída com ainda mais aplausos, Eirik Glambek Bøe aparece para tocar Corcocvado de Carlos Jobim, com Øye a juntar-se mais tarde para mais uma exibição da sua trompete invisível. Meia noite, era o ponto final de um concerto com uma sala, um público e uma banda verdadeiramente impecáveis. O único lado negativo? Nem vi se os CDs estavam para compra. Mas se Maomé não vai até à montanha…

Foto: Cristina Pinto (Optimus/Blitz)

Posted Quarta-feira, 23 Julho 2008 by Silva in Musica

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