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Compras Julho

Assim diz o Bobby Gillespie na Beautiful Future

…. num mês estranhamente produtivo, mas onde vou certamente estar arrependido de enfiar qualquer coisa como 60 euros em CDs quando não vou a Paredes para poupar para you know what. No mês passado tinha deixado algumas dicas sobre algumas das possíveis compras que se iam seguir, e duas delas acabaram por se concretizar.

A começar pelo The Greatest, aquele que será o melhor álbum da Cat Power, e que após ter “falhado” a compra nas promoções na Jojo’s no mês passado, tive a oportunidade de emendar dias mais tarde. É a slipcase edition, muito provavelmente para os que preferem ter a carinha laroca da srª Chan Marshall na capa em vez de um colar com dois pendentes em forma de luvas de boxe num fundo rosa-choque. Segue-se a faixa de abertura e que dá nome ao álbum, tocada ao vivo no programa de Jools Holland:

Outro que havia ameaçado comprar era We Can Create, o álbum de estreia dos Maps. Após ter falhado pela terceira (ou quarta ou quinta, já nem sei) vez a aquisição do Messages, decidi avançar antes para outro dos belos álbuns que saíram em 2007, sendo inclusivamente nomeado para o Mercury Prize. Essencialmente o projecto de James Chapman, o álbum foi gravado maioritariamente no seu quarto em Northampton  (cumprindo a profecia de Bill Drummond, onde dizia que a tecnologia japonesa iria evoluir ao ponto de tornar os estúdios obsoletos) e mostra um grande alcance de influências, principalmente os Galaxie500, num dos melhores discos britânicos de new-gaze. O novo álbum está a ser gravado as we speak, e por maravilhas das internets e dos youtubes, podem seguir o processo criativo no seu site. Fica uma versão ao vivo de You Don’t Know Her Name, a que será a música mais forte do álbum.

Outro que embora não tenha referido era provável que comprasse era Doppelgänger dos Curve. Embora tenham sido algo esquecidos com o tempo (apesar da influência em bandas como os Garbage), Doppelgänger é uma mistura de diversos movimentos underground nos primeiros anos da década passada. Desde o shoegaze patente nas texturas sonoras, o dance-rock/baggy/madchester dos ritmos ou as secções electrónicas da nova vaga da música industrial que emergia do sucesso dos Nine Inch Nails e dos Ministry. Após ter falado de Horror Head vezes sem conta, aqui fica Clipped, a faixa que encerra o álbum na sua versão americana, a mesma que comprei. Lamenta-se só a falta de fotos de Toni Ha… da banda no livrinho.

Indo mais para o principio do mês, decidi passar os olhos pela lista de CDs da Muzzak, uma das lojas que costumo visitar, mas onde até agora só tinha comprado as revistas que uso para os scans do outro blog e para escrever sobre alguns assuntos mais pertinentes que requerem algum conhecimento contemporâneo. Encontrei alguns interessantes, um dos quais o LP dos Ambulance LTD, um álbum há muito sugerido pela Amazon (uma das minhas principais fontes de recomendações). Mais uma banda a sair da indie scene de NY, e tal como outras a ir buscar inspiração às bandas shoegaze/dream pop britânicas do começo dos anos 90. Desde a gravação de LP em 2004, a banda sofreu uma re-estruturação completa, mas já nada pode subtrair da qualidade demonstrada pela banda. Fica aqui uma das melhores músicas do álbum, Heavy Lifting:

Outro por lá ficou (bem como mais dois em que ainda esotu a pensar) que demorei alguns dias até considerar se valeria a pena comprar ou não. Saturdays = Youth, o último álbum dos M83 continua a ser um disco algo controverso na minha cabeça. Um ano mais velho que eu, certamente que o Anthony Gonzalez não ia ter uma visão dos anos 80 muito diferente da minha – no fundo, ambas influênciadas por rasgos de memórias da década e os filmes da altura, principalmente os do John Hughes. Se em termos sonoros acaba por estar longe de álbuns como Dead Cities, Red Seas & Lost Ghosts ou Before The Dawn Heals Us, isso não é sinal que a qualidade tenha desaparecido. Um álbum pop por excelência com muitos elementos emprestados da sonoridade típica dos anos 80, o 5º álbum do músico francês acaba por ser brilhante em todos os aspectos, excepto talvez na parte lírica. Saiu recentemente o terceiro single, Kim & Jessie, e por continuar a implicar com a letra de Graveyard Girl, prefiro voltar a promover o videoclip algo LGBT:

Ultimamente tenho comprado alguns CDs sem os ter ouvido antes. O dos Ambulance LTD foi assim, outro foi o EP Fireworks dos Embrace, uma banda que conhecia apenas das páginas de uma Select onde um anúncio de página inteira ao primeiro álbum. O preço era convidativo: €2.5, com os 20% de desconto na estante de singles da Jojo’s tornou-se na companhia de regresso a casa do The Greatest. Quanto ao conteúdo musical, mais uma banda competente da escola do pós-Britpop, mas que devido à saturação do mercado acabaram por causar pouco impacto, mesmo no Reino Unido. Fica aqui The Last Gas:

Ainda na mesma onda, comprei também Equally Cursed and Blessed, o terceiro álbum dos galeses Catatonia. embora seja um álbum menos imediato que International Velvet, tem igualmente os seus momentos altos, No entanto, lançado na mesma ressaca do pós-Britpop e apesar de chegar igualmente ao topo das tabelas, teve uma reacção mais fria. Fica aqui Dead From The Waist Dow, o que mesmo assim é uma coisa mais agradável de se dizer que o “sheep shaggers” habitualmente direccionado aos galeses:

Outro que aproveitei para comprar foi o Beautiful Future, o novíssimo álbum dos Primal Scream. Sobre o álbum já falei bastante recentemente, e não me apetece estar a voltar a repetir o mesmo: fica só com a conclusão: após o XTRMNTR e o Screamadelica, junta-se ao Evil Heat e aoVanishing Point na minha lista de preferências do trabalho a solo do sr. Bobby Gillespie. Que confirma-se que parece não querer envelhecer. Menos novo, mas igualmente bom é o primeiro álbum dos Asobi Seksu. Com as notícias do terceiro álbum a aparecer, lá decidi comprar o álbum de estreia (embora ainda gostava de meter as mãos no EP dos Sportfuck, que diz-se serem a primeira encarnação) da banda. Não há muito que não possa dizer da banda que ainda não tenha dito: além de serem a melhor banda da esteira do new gaze (embora mais “adocicado” que o normal), significaram um ponto de viragem em que passei a ouvir música mais recente e a importar-me com concertos ao vivo. Algo que por motivos óbvios nunca pude referir é a qualidade do artwork que decora o digipak do álbum, responsabilidade de Sean McCabe. Como é possível ver no site, tem uma capacidade inata de captar o estilo gráfico dos anos 60, e o pequeno digipak consegue captar a essencia dos discos de vinil da era, como é possível ver na parte de trás do mesmo: Aqui fica Walk On The Moon, a única música do álbum com direito a videoclip, inclusivamente oferecido na re-edição Britânica da One Little Indian, juntamente com uma faixa extra de um disco que já tenho (isto parece ser uma constante comigo e os Asobi Seksu), o Live at the Echo, excelente para quando tenho saudades da noite de 1 de Dezembro de 2007.

Para terminar, mais um álbum de estreia, mas deste não há muito a falar. Fica o vídeo:

Posted Domingo, 3 Agosto 2008 by Silva in Compras, Musica

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