Glasvegas

Wikipedia

foto: Wikipedia

Um dos bons princípios da música é ignorar tudo o que Alan McGee diz. Afinal de contas, este é o homem que apesar de ter escrito uma boa parte da história da música alternativa britânica entre 1985 e 2000, decidiu re-escrever certas partes dessa mesma história. Os Slowdive é que eram a verdadeira banda do periodo do shoegaze e os My Bloody Valentine eram “uma anedota” e já contou no mínimo seis histórias de como descobriu os Oasis. Nos passados meses, a sua devoção virou-se para uma banda emergente de Glasgow, cidade cuja uma das alcunhas deu o nome aos três rapazes e rapariga que compõe os Glasvegas. A maior influência da banda pode ser traçada directamente a outra banda de Glasgow que sugriu há cerca de 24 anos – os The Jesus and Mary Chain, indo igualmente buscar as melodias inspiradas pelo pop dos anos 60, encharcado em feedback das guitarras e percussão minimalista que tornaram a banda liderada pelos irmãos Reid uma das referências da música nos anos 80, bem como as performances ao vivo, embora por motivos diferentes.

Após uma longa espera, e já alguns meses após os Courteeners (outra banda Britânica emergente, estes de Manchester) terem lançado o seu álbum de estreia, foi a vez dos Glasvegas lançarem o seu. Com os seus 42 minutos, não será o álbum mais extenso do ano, mas apesar da concorrência dos Suecos Raveonettes (Lust Lust Lust) e dos Americanos Magnetic Fields (Distortion), talvez haja qualquer coisa no ar de Glasgow que os faça aproximarem-se mais da banda matriz que as outras duas bandas. Sem serem tão ruidosos, aproximando-se mais da banda nas fases mais lentas de Automatic ou Honey’s Dead, mas com o seu estilo firmemente apoiado na pop do meio do século XX.

Glasvegas, o álbum de estreia, pega num dos componentes que fizeram uma boa parte do currículo de algumas das grandes bandas britânicas desde a ressaca do punk  (Joy Division, Smiths, Suede, Blur, Oasis) – histórias da vida comum no mundo moderno. O álbum começa com Flowers & Football Tops, uma música sobre um filho falecido, seguindo-se Geraldine, um dos pontos altos do álbum, sobre uma assistente social que salva a vida da primeira pessoa da canção, enquanto Go Square Go! é sobre um pai a incentivar o filho a responder a um rufia na escola, Daddy’s Gone (outro dos pontos fortes do álbum) sobre um pai ausente ou Stabbed, uma história sobre o actual tema do “knife crime” nas terras de sua majestade, na faixa mais atípica do álbum, com um piano a tocar o primeiro movimento de Moonlight Sonata de Beethoven. Infelizmente, essa “atipicidade” faz com que a versão do Home Tapes EP, onde é um dos melhores momentos, vá ser esquecida.

Da mesma forma que os iLiKETRAiNS fazem música deveras convincente sobre acontecimentos históricos, os Glasvegas contam a vida tal e qual ela está por aí fora, com uma honestidade surpreendente. É verdade que a imprensa britânica tem tendências para encontrar hypes em tudo, mas pela primeira vez em bastante tempo, aqui existem motivos para tal. Enquanto não há nada de muito original aqui, é tudo feito com bastante paixão, e bastante genuíno. Se irão conseguir ultrapassar este álbum de estreia, ainda é muito cedo para dizer, mas justificaram todo o burburinho em volta deles até agora.

Glasvegas sai no próximo dia 8 sob a chancela da Columbia, com uma edição normal e outra com um DVD extra. Subornos aceitam-se ->

Posted Sábado, 6 Setembro 2008 by Silva in Musica

Tagged with

%d bloggers like this: