Álbuns…

Infelizmente (ou felizmente, diz a minha carteira) tenho menos tempo para actualizar isto, e com isso, deixei passar em claro alguns dos álbuns que planeava escrever sobre eles a fundo, por isso em vez de meia dúzia de posts dedicados a outros tantos álbuns, vou fazer um único post com esses trabalhos. E com isso, aproveitei para actualizar também a lista dos melhores álbuns segundo o autor deste tasco.

Mas começando…

Stainless Style
Neon Neon

Num ano em que o throwback aos anos 80 foi uma das notas dominantes, um destacou-se precisamente por emergir completamente na cultura da década. Não só na sonoridade, mas também no tema: o conceito do álbum gira em torno da carreira do frabricante de automóveis John Delorean, desenhador do carro desportivo de corpo de aço inoxidável escovado (daí o nome Stainless Style) DMC-12, popularizado na série Regresso ao Futuro. Enquanto os Neon Neon são um nome recente, Gruff Rhys é um nome bem conhecido como o vocalista dos Super Furry Animals, Boom Bip é um produtor/DJ que criou uma carreira sólida nos últimos 10 anos.

A explorar o synthpop da década (Belfast por vezes parece que foi escrita por Martin Gore), algum hip-hip pelo meio (afinal de contas, “bitches, bling and fast cars” é mesmo o que a vida de Delorean teve) e mais algumas referências à cultura dos anos 80, Stainless Style destaca-se dos restantes álbuns por não só ir recuperar determinadas sonoridades, como a colocá-las no contexto de uma das histórias mais estranhas dos anos 80, com isso conseguindo uma nomeação para o Mercury Prize. Amén.

Perfect Symmetry
Keane

A inovação é uma faca de dois gumes: tanto os fãs mais exigentes pedem que a banda complete ciclos e se re-invente ou mostre algum progresso no seu som. Enquanto os Franz Ferdinand aparentemente engasgaram-se pelo caminho e fazem cada vez mais concessões ao prometido há cerca de 8 meses – já não vai ser um álbum de “pop sujo” (os Primal Scream e os Glasvegas anteciparam-se), e já vemos o baterista a considerar que por mais alterações que façam, vão soar sempre ao mesmo. O que tanto é bom, como é péssimo. Já os Keane, tão odiados como amados, prometeram, na declaração mais aberta a comentários para o “lol” no forum do Blitz, esquecer-se das normas de bom gosto, e produzir um álbum diferente dos anteriores.

Embora seja verdade que Perfect Symmetry é um álbum com bastantes diferenças, principalmente contra Under the Iron Sea, essas diferenças são apenas exploradas (com resultados variáveis, embora em geral positivos) em cerca de metade do álbum… o que é mais que certas bandas levadas a ombros fizeram no seu terceiro álbum. A fã Katie diz que Spiralling já é um risco considerável para o trio, enquanto eu após ouvir o álbum pela quarta vez, acho que metade do álbum é demasiado “conservadora” e demasiado em linha com o anterior. A seguir o caminho dos Simple Minds ou não, metade de Perfect Symmetry é uma prova que a banda não está limitada ao pop MOR dos primeiros álbuns, e consegue mexer-se confortavelmente noutras paragens. O que é mais que se pode dizer de muitas bandas levadas ao colo pela crítica.

E agora, uns mais antigos…

jaga_jazzistWhat We Must
Jaga Jazzist (2005)

Enquanto esta década foi lamentavelmente uma para esquecer do ponto de vista da criatividade musical vinda das ilhas britânicas, os países nórdicos libertaram-se da fama de produtores de pop de qualidade duvidosa ou de 391 variantes de metal, e bandas como os Röyksopp, The Knife, Sigur Rós, Múm ou Kings of Convenience trouxeram ideias novas aos géneros em que se enquadram. Os Jaga Jazzists representaram a revolução no Jazz vinda dos países nórdicos, tendo conseguido alguns prémios com A Livingroom Hush, de 2001.

No entanto, o que é neste momento o último álbum da banda é uma exploração das sonoridades do  post-rock, a que se juntou a experiência jazz da banda, conseguindo algo de bastante interessante e diferente, num género que se encontra cada vez mais formatado a certos clichés.

whos_afraid_of_the_art_of_noiseWho’s Afraid of ?
The Art of Noise (1984)

O primeiro álbum do colectivo de não-músicos desafia o próprio conceito do que será música pop – a ideia de um álbum experimental vai contra tudo o que se pode pensar  sobre o género (principalmente nos últimos anos, em que a música pop ganhou contornos quase laboratoriais). Mas a equipa por trás dos Art of Noise não só ia demonstrar as capacidades dos samplers (a usar sons de diversas origens, desde um carro a arrancar até ao “hey” que iria ser popularizado pelos Prodigy na década seguinte).

É possível já ouvir neste álbum alguma da capacidade bastante cinemática dos Art of Noise, potenciada essencialmente pelo talento de Anne Dudley, que terá em Moments In Love o seu momento mais alto. Este é um dos álbums essenciais dos anos 80, e apesar da tonalidade algo experimental (pouco tem a ver com o synthpop que outras bandas como os Depeche Mode ou os Ultravox faziam na altura) uma prova que o mal  actual da música pop não é ser pop – é de ser excessivamente conservadora.

oj-ripRip It Up
Orange Juice (1982)

Formados na ressaca do punk, os Orange Juice foram uma das primeiras bandas a adoptar os ensinamentos da cena independente desenvolvida mais a sul, e ao mesmo tempo, uma banda de referência para a cidade de Glasgow, que nos anos seguintes se iria tornar num dos maiores centros para a música Britânica.

Rip It Up, editado após a Postcard Records que os viu nascer ter desaparecido, é um conjunto brilhante de canções pop, uma mistura dos ensinamentos do punk (com uma vénia aos Buzzcocks na faixa título) com tiques disco e funk, algo a que os fãs dos Talking Heads e Gang of Four não será de todo estranho. Um verdadeiro triunfo da música indie britânica pré-Smiths (e pós, diga-se), e que ainda faz muito a ver a bandas como os Franz Ferdinand e os The Ting Tings.

Posted Sexta-feira, 7 Novembro 2008 by Silva in Musica

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