Álbuns a sair

Tal como tinha dito no Twitter, hoje ia confessar certos crimes. Como é previsível, relacionados com álbuns que ainda não saíram, mas que eu, de uma forma ou outra, acabei por ouvir. 2009 promete ser um ano mais animado que 2008, or isso, quanto mais depressa se despacharem as novidades, mais tempo há para as que se seguem.

asobi_3Começando então por Hush, o terceiro álbum dos Asobi Seksu. O agora duo de Brooklyn (zona de NY que parece ter mais talento concentrado que muitos países juntos) tem andado por altos e baixos desde que Citrus saiu em 2006, desde alterações na formação da banda como a ausência de uma editora nos Estados Unidos. Por isso mesmo, Hush será menos “sacarino” que Citrus, mas isso não acaba por afectar minimamente o som da banda, e é possível ouvir mesmo uma certa evolução no som da banda, até pela própria organização do álbum, que foge à arrumação do estilo LP vista nos outros dois. Destaques para os singles (Me & Mary e Familiar Light), bem como os pedaços de céu num disco de plástico Layers e I Can’t See. Um álbum a comprar, sem margem para dúvidas.

Em seguida, o caminho turtuoso que os Franz Ferdinand seguiram até chegar ao seu terceiro álbum, Tonight, acaba por resultar num álbum sem ideias bem assentes e inconsistente, a meio caminho entre o b-side e o álbum de remixes. Enquanto existem os “momentos franz” em músicas como No You Girls, Live Alone, ou What She Came For, nas quais as eléctronicas dão uma nova dimensão a esses mesmos momentos, outras como o single Ulysses ou  a sequência instrumental de Lucid Dreams (que parece ter sido colada ao final da música) sugerem que algo de muito errado se passou em estúdio. Ao vivo, lpe_franz_ferdinand-tonightonge de produtores, o álbum poderá ganhar outra força, mas na sua forma actual, é simplesmente decepcionante. No entanto, a popularidade da banda Escocesa significa que dos apresentados neste post, Tonight irá ser o mais vendido, como provavelmente o que irá figurar em mais tops do ano. Apesar de não ser propriamente mau, o que não é, mesmo sendo o pior dos apresentados neste post, de uma banda como os Franz Ferdinand esperava-se bastante mais. A desculpa que “é um álbum que precisa de tempo” não é válida: a opinião aqui expressa foi feita ao fim de qualquer coisa como 10 audições completas. A “latitude” que referi noutro post que o currículo dos Franz Ferdinand merecia.

Depois do exílio dos estúdios que durou de 1997 até 2004, Morrissey parece estar na sua melhor forma desde que os  Smiths implodiram.  You Are the Quarry e Ringleader of the Tormentors foram ambos bem recebidos pelo público e a crítica, mas tirando a curiosidade no yearsofrefusalprimeiro, nada fazia prever o burburinho que esperava este álbum, a começar logo pela capa. À medida que os detalhes iam aparecendo, e o próprio álbum apareceu na internet, a surpresa era ainda maior – 30 anos após os Nosebleeds, Morrissey descobria de novo o punk, muito por responsabilidade do produtor Jerry Finn, no seu último trabalho. Faixas como Something is Squeezing My SkullAll You Need Is Me ou That’s How People Grow Up  mostram Morrissey no seu melhor, enquanto a sonoridade digna de um Western Spaghetti, de Last I Spoke to Carol tornam este álbum de facto um dos dos mais sólidos da já longa carreira de Morrissey.

Para acabar, chegamos aos The Whitest Boy Alive, o projecto lateral de Erlend Øye dos Kings of Convenience… que neste Rules parece ter transportado a sensibilidade dos KoC para um ambiente mais pop, com toda uma banda atrás. De qualquer forma, enquanto o último leitor de whitest_rulesCDs não for destruído, Rules parece ser uma boa forma de ir passando o tempo, com faixas como Keep a Secret, 1511 ou Dead End a remeter para a contribuição de Øye na premiada Remind Me dos Röyksopp em 2003. Nada que vá mudar o mundo, ou sequer o panorama musical de 2009, mas é uma excelente companhia para os dias frios que este Janeiro está a ter (apesar do álbum só sair em Março, mas pronto…)

Posted Sábado, 17 Janeiro 2009 by Silva in Musica

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