Em relação ao dia 30 de Paredes de Coura…

Antes do mais, convém dizer que não sou nenhum “fanático” por festivais, nem estou iludido por preferências tribalisticas por Paredes de Coura (se isto fosse ali no Parque da Cidade era melhor ainda). No entanto vejo muitas críticas sobre a qualidade do mesmo, principalmente devido aos rumores que foram atirados ao ar por “pessoas com fontes”. Ainda para mais, tendo em conta que Paredes é um festival mais orientado para destacar bandas em ascenção, quem quiser ver nomes consagrados e com airplay de radio teria sempre uma boa opção – ir aos outros festivais.

Embora todos os dias têm os seus argumentos, o dia 30 será aquele que, em termos de organização e conceito, será o dia mais perfeito de todos o Verão. É óbvio que poderia ter outras bandas (matava para ter os Super Furry Animals em vez dos Supergrass, mas isso são gostos), mas capta perfeitamente o zeitgeist do panorama indie Britânico de 2009. Ora vejamos.

  • Embora o seu último álbum (Tonight with…) não tenha sido recebido de forma tão calorosa, os Franz Ferdinand são, a par dos Libertines, a banda que relançou a música de guitarras de volta para o topo das preferências na primeira metade desta década, e continuo mais a culpar os erros do álbum no exagerado trabalho de produção e expectativas absurdamente altas. São um headliner de peso – só perdendo uns pontos por já serem habituais dos palcos veraneantes (embora podia dizer o mesmo dos Metallica, e depois era trucidado…)
  • Os Supergrass foram uma das bandas de peso da fase média do Britpop, e ainda continuam activos com uma certa pinta. Talvez outros nomes pudessem estar em seu lugar, mas é uma banda que ignorou o nosso país por muitos anos – curiosamente, uma das “desculpas” mais citadas para justificar o choradinho pelos Blur.
  • A entrada dos The Horrors para o lugar dos fraquíssimos Rascals (muito provavelmente desejados por poucos mais do que os groupies de Alex Turner) é o verdadeiro deal breaker do dia. Depois de serem quase unanimemente considerados scenesters após o seu aparecimento, Primary Colours destaca-se surpreendentemente como um dos melhores álbuns do ano. Esta é a altura certa para ver a banda – muitos sugerem que estes podem ser os Primal Scream desta geração, ou seja, uma banda cujo trabalho é quase orientado em função de convidados e produtores.
  • Os Pains of Being Pure at Heart já são bem conhecidos por este tasco – bem antes de lançarem um LP, até. Apesar de serem uma das bandas mais emergentes da scene indie-pop de NY, o seu som é directamente influenciado pelo chamado movimento C86. São uma banda que muito dificilmente iria encher um espaço numa cidade qualquer, logo a presença em Paredes será por ventura uma hipótese única de ver a banda.
  • Apesar de conhecer pouco a fundo da banda (tirando, lá está, as siiiiiIIIIIIIreeeeeens!), os Temper Trap são uma banda curiosa – tirando Nick Cave e a Kylie Minogue, são poucas as hipoteses de ver ao vivo sons dos down-under. Ainda para mais, são uma banda bastante energética e acredito que pode-se tornar um pequeno culto caso as coisas em Paredes corram bem.
  • Para o afterhours, a presença dos Chew Lips é discreta, mas marcante e prova de quem fez o cartaz sabia bem o que está a fazer – basta recuar menos de um ano para se estar presente na que era considerada a melhor banda unsigned no Reino Unido. Escolha belíssima para um after-hours de um dia em cheio.

É óbvio que a minha wishlist de bandas de Paredes de Coura incluía outras muitas outras: sem correr ao MySpace para verificar datas, poderia referir os Super Furry Animals, Deerhunter, Ash, Glasvegas, Malajube (curiosamente, com os Temper Trap e os Howling Bells foram a banda que mais me ficou deste jogo), Camera Obscura, 1990s, SPC-ECO ou School of Seven Bells, ou nomes gigantescos como os Blur, My Bloody Valentine (podem ir a Portimão que eu por cá fico…) ou os Radiohead. Mas este dia é coeso, e é preciso lembrar, o festival tem apenas UM palco – aquilo que se paga é aquilo que se vê. Seria possível fazer um segundo palco (caso do Optimus-Blitz Alive), mas isso é uma solução que pode sempre dividir pessoas – o cartaz tenta ser tão homogéneo que acaba por não se entender bem qual é o fio condutor.

Curiosamente, todas estas bandas já foram referidas anteriormente neste tasco (tirando os Chew Lips, por falta de material – mas já os recomendei há um par de meses). Isso talvez explique o porquê do meu entusiasmo; só costumo falar de bandas pelas quais tenho uma certa estima (não ando atrás de hits nem pseudo-reconhecimentos do género “vou falar meia dúzia de lugares comuns de cada album que saco para toda a gente pensar que sou bué da indie”), e isto é um raro caso do alinhamento astral perfeito.

Por fim, alguém se lembra disto?

Pois é.

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