Gary Numan na Casa das Artes

Custa a acreditar que Gary Numan, pioneiro do synthpop ainda nos anos 70 com os seus Tubeway Army, ainda não tenha passado em Portugal. Figura enigmática da era, após um periodo de relativa falência creativa que se arrastou por cerca de 16 anos, tornou-se figura de referência e reverência para um número crescente de músicos ao longo dos anos 80 e 90, sendo um dos casos mais notórios o de Trent Reznor.  Esse legado de Gary Numan, no entanto, acabou por afectar a sua própria sonoridade – a meio dos anos 90 encontrou um novo folego ao aproximar-se dos sons e temáticas do rock industrial mais mainstream. É nesse registo que Gary Numan se apresentou na Casa das Artes.

Numa casa apenas semi-composta (certamente que no Porto ou em Lisboa haveria mais público, mas a descentralização dos concertos dos eixos destas duas cidades tem obrigatoriamente de começar – e esta sala de VN Famalicão tem tudo para ser uma das melhores), com uma faixa etária predominante que certamente segue o músico há décadas, Gary Numan e a sua banda foram passando pela sua extensa carreira, mas não é grande surpresa que os primeiros acordes de músicas como Are Friends Electric, Films, ou obviamente Cars, arrancavam mais aplausos que Zulu ou A Prayer For The Unborn.

Apesar de já ter dobrado os 50 anos, Gary Numan não fica parado em palco – pega no suporte do microfone, dança provocantemente para a primeira fila e quando é necessário, pega na guitarra e junta-se ao resto da banda. É díficil olhar para ele e não pensar em Trent Reznor (com quem diz-se ter uma colaboração em manga), e é ainda mais difícil ficar indiferente a todo o poder que as novas roupas trazem às músicas mais antigas de Gary Numan. Numa altura em que se vêm tantas bandas dos anos 80 a regressar para uma tour nostálgica (caso dos Spandau Ballet ou dos Alphaville, por exemplo) , aqui não houve espaços para revivalismos.

De todos os concertos que irão passar por baixo do radar este ano, será difícil bater esta performance de luxo de Gary Numan – esta estreia em Portugal dificilmente poderia ter sido melhor.

Posted Domingo, 30 Maio 2010 by Silva in Musica

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