Críticas curtas

Como já vai algum tempo desde que escrevi algo mais a sério sobre música, decidi tentar voltar a fazer umas 3/5 mini-críticas semanais. Decidi igualmente adoptar uma escala baseada no nível de desancamento que cada álbum consegue sofrer antes de ficar reduzido a algo para servir de banda sonora a um supermercado na aldeia. A escala irá habitualmente de zero a três ohms (Ω), sendo que eventualmente poderá haver casos onde mesmo zero é uma pontuação demasiado bondosa.  Escusado será dizer, esta avaliação não é absoluta – é relativa aonde figurará (ou figuraria) no top anual. Ou seja, três ohms será um álbum que irá ficar nos primeiros 15 lugares (não que é um “album prefeito”), dois está potencialmente nos 30 primeiros, um e pode aparecer no top 50, enquanto zero muito dificilmente irá ser considerado para coisa alguma. Um “anti-ohm” significa que o trabalho em questão irá ser motivo de piadas frequentes.

King of the Beach
Wavves
Ω Ω Ω

E está encontrado o álbum do Verão. A quebrar um pouco com o som de Wavves e Wavvves, os Wavves (ceeeerto…) apresentam aqui o seu trabalho mais produzido, poucos meses depois da implosão quase total da banda durante a promoção ao dos três V. Talvez devido a essa mesma implosão, a quase atonalidade distorcida reinante deu lugar  a melodias veraneantes, e num par de casos (Baseball Cards e  principalmente Mickey Mouse) a uma aproximação muito agradável a Animal Collective.

O conteúdo temático acaba por dizer bastante sobre Nathan Williams (“I’d say I’m sorry; but it would mean shit“, “and I hate myself, man; but who’s to blame?“,my own friends, hate my guts, so what? who gives a fuck?” entre outras pérolas da auto-flagelação), o musical coloca a banda algures entre uma praia na California e um parque de skates. A vida é feita de segunda oportunidades, e os Wavves parecem querer aproveitá-la.

Disconnect From Desire
School of Seven Bells
Ω Ω Ω

Dois anos depois, Benjamin Curtis e as irmãs Deheza voltam à carga com Disconnect From Desire, trabalho que a certas alturas parece Alpinisms a ser tocado numa festa nos anos 80. Não que não seja perfeitamente reconhecível como um álbum dos SVIIB – todos os elementos que fizeram de Alpinisms um dos álbuns mais singulares da última década estão presentes, desde o cruzar de vozes até às delicadas texturas de sintetizador e guitarra que compõem as melodias. Noutros, a drum machine toma conta da música, e transforma o pop étero do trio de Brooklyn numa faixa que não ficaria muito deslocada numa festa em 1988.

Essas oscilações na sonoridade poderiam enfraquecer um pouco a coesão do álbum, mas o mérito dos SVIIB está precisamente em equilibrar as músicas mais ao estilo de Alpinisms com as faixas mais aproximadas de synthpop – Heart is Strange, a segunda do álbum, não deixa de ser uma das melhores do álbum. A banda admitiu querer fazer diferente, e apesar de não ser uma diferença tão drástica quanto isso, sugere que se este é o novo caminho, augura-se igualmente prodigioso para a banda.

The Drums
The Drums
Ω

Uma das grandes esperanças de 2009, chega a 2010 completamente deflacionada por um álbum que apesar de seguir os mesmos estilos e influências do EP que os tornou numa das bandas mais requisitadas dos últimos meses, acaba por soar a pouco mais que um recalcamento das mesmas, e quase um auto-plágio ao EP. Não que seja mau – continua a ser um dos álbuns mais agradáveis do ano – mas esperava-se mais da banda.

O maior problema de The Drums é que não adiciona absolutamente nada ao EP Summertime!, lançado em 2009. As músicas novas não adicionam nada de interessante, e as ausências (principalmente I felt Stupid e Don’t Be a Jerk Johnny, e imagine-se Let’s Go Surfing esteve quase na calha) não são compensadas.

Posted Domingo, 11 Julho 2010 by Silva in Musica

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