Ohm, sweet ohm.

Obviamente, não me passou ao lado que o dito album que teria o direito ao anti-ohm chama-se “Resistance”. Que seria o nome óbvio para a secção. Mas que por motivos óbvios, ficava um bocado mal. Por isso, decidi ir buscar o nome de uma música dos Kraftwerk.

Não está mau de todo.
Breathe The Fire / Phantoms
The Soft Moon
Ω Ω  (single)

O ambiente é gelido. As vozes estão escondidas entre uma melodia pouco definida que por vezes ganha força num riff de guitarra mais pronunciado, isto tudo liderado por um ritmo preciso. Londres? Manchester? São Francisco. Improvável? Talvez. Mas aqui está o primeiro single desse colectivo de uma pessoa que, sem fazer nada de terrivelmente original, promete intrometer-se nos lugares cimeiros de muitos tops no final do ano.

A arrumar ao lado de outras bandas que surgiram com essa mistura de dream pop e ritmos krautrockianos/post-punk como os Horrors, vale a pena seguir Luis Vasquez com atenção nos próximos tempos.

Sex With An X
The Vaselines
Ω Ω

Uma das bandas mais influentes do estilo indie pop pós-C86, muito graças à recomendação de Kurt Cobain, o álbum e o par de EPs editados pela banda durante a sua curta existência deixava-os ainda assim com mais para a posteridade que muitas bandas contemporâneas. Por isso, não é grande surpresa que no meio de um revivalismo do twee, a banda que porventura mais “sucesso” teve nos EUA.

Falando em revivalismo, é interessante ver como a música de lançamento para o álbum é precisamente uma menção ao revisionismo dentro do revivalismo: “What do you know? You weren’t there. It wasn’t all Duran Duran Duran Duran. You want the truth? Well this is it – I hate the 80s ’cause the 80s were shit“. Duro? Talvez. Mas numa altura em que se tentam branquear ou esquecer as maiores aberrações da década para lá do fascínio bizarro de um Rick Roll, talvez seja merecido. Talvez a própria ironia seja em que o álbum dos Vaselines pouco de destaque de toda a onda indie pop tanto da vaga C86 como da vaga C2006. Mas afinal de contas… não deixa de ser bom. E sempre têm a desculpa de ser “apenas” o seu segundo album.

What We Held On To
Shigeto
Ω  (ep)

O segundo solitário da semana, Zach Saginaw, poderia ser apenas mais um de muitos exploradores da música electrónica mais orientada para a anónima música ambiente de um qualquer bar hipster do que para a pista de dança. Mas por entre as samples vocais que remetem aos anos 60, nintendo sound e os sons analógicos, há algo que escapa dos clichés.

Uma mistura de musica ambiente com IDM, retocada com estilos jazz, What We Held On To é apenas uma amostra do que virá mais tarde, na forma do LP Full Circle. A melhor parte? Pode ser obtido gratuitamente a partir da editora. Para já, promete.

Crush Depth
Chrome Hoof
ΩΩΩ

Uma das bandas mais estranhas do panorama actual, os Chrome Hoof são uma banda que além  do impacto em palco provocado pelo aspecto de princesa alienígena da vocalista Lola Olafisoye  e os robes prateados dos diversos músicos que compõe esta quase-orquestra experimental, mas também pela amalgama de géneros que exploram nos seus discos, desde metal até ao disco, por vezes na mesma faixa. O que levou a que alguns apelidassem músicas como Death is Certain géneros tão curiosos como doom disco.

Crush Depth é mesmo isso – desde as músicas polvilhadas com power chords e riffs metaleiros (Third Sun Descendant), explorações num jazz muito espacial (Sea Hornet), a bassline urgente de Deadly Pressure ou o late disco de Vapourise. Não é um album para todos – é preciso estar predisposto a aceitar que os Chrome Hoof são simplesmente doidos, e que nunca haverá um estilo predominante. Esses têm aqui um dos álbuns do ano.

Na próxima semana: Arcade Fire e mais uns quantos

Posted Terça-feira, 27 Julho 2010 by Silva in Musica, Ohm Sweet Ohm

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