Archive for the ‘The Horrors’ Tag

TOP DA DÉCADA: 24 – 11

E já estamos a chegar ao fim do ano, e a entrar no Top 10… De novo, por ordem alfabética. Amanhã, são colocados os 10 melhores, e dia 31, umas horas antes da meia noite e umas depois da apresentação do álbum do ano, vai para o ar o post que apresenta o álbum da década.

Arcade Fire
Neon Bible
2007

The Bristols
Tune In With
2001

Deerhunter
Microcastle/Weird Era Cont.
2008

Explosions in the Sky
All of a Sudden I Miss Everyone
2007

Interpol
Turn On The Bright Lights
2002

Justice
Croix
2007

Maps
We Can Create
2007

M83
Saturdays = Youth
2008

Nine Inch Nails
Year Zero
2007

Röyksopp
Junior
2009

Sigur Rós
Með suð I eyrum við spilum endalaust
2008

Super Furry Animals
Dark Days – Light Years
2009

The Horrors
Primary Colours
2009

The Knife
Silent Shout
2006

DISCOS 2009: TOP 3

E aqui estão os três álbuns do ano, de novo sem qualquer ordem:

The Horrors – Primary Colours
A surpresa do ano. Depois de um primeiro álbum banal, a banda de Southend juntou-se a Geoff Barrow (Portishead), e os primeiros resultados começaram a surgir em Sea Within a Sea, uma composição de quase 8 minutos de rock psicadélico experimental. Era Março, e estava lançada a espera para o lançamento do álbum em Abril – e numa coisa rara, as expectativas elevadíssimas não foram defraudadas com o álbum.
As comparações com os MBV não tardaram, mas acabam por ser muito redutoras em relação ao som da banda. Sim, existe uma certa reverência à banda, mas Primary Colours é mais que um regresso aos tempos do chamado “Slowdriveride” – vale por toda uma mistura de influências, com uma produção brilhante, e há que admitir, o efeito surpresa.

Röyksopp – Junior

Após terem entrado de rompante em 2001, os Röyksopp passaram por fases menos boas – incluindo a sobre-exposição de Melody A.M. até ao inferior The Understanding. Chegamos a 2009, e o duo de Bergan volta a aparecer com colaborações de peso (Robyn, Karin Dreijer e Lykke Li, entre outros) e música a acompanhar. O álbum mais energético da banda até agora, Junior é um álbum pop brilhante, destacando-se os singles Happy Up Here e This Must Be It, bem como a épica Röyksopp Forever.
O álbum terá companhia – Senior, a lançar em 2010 (depois dos rumores que indicavam o final de 2009 como data provável), será mais aproximado do downtempo que caracterizou os primordios da banda. Estará escolhido o melhor álbum de 2010 quando ainda faltam alguns dias para ele começar ?

Super Furry Animals – Dark Days / Light Years
Depois de entrar no top de 2008 com o projecto Neon Neon, Gruff Rhys entra de novo no top, desta vez com os Super Furry Animals. Com uma carreira que já vai com quase 20 anos, os SFA nunca perderam a sua identidade, e com DD/LY voltaram a ser aclamados como uma das melhores bandas britânicas, e com uma consistência que faz ver a outras bandas galesas (>cof<Manicstreetpreachers>cof<).Os temas do álbum variam entre a crise, o best-of do Neil Diamond a ser tocado durante um bombardeamento, a inauguração de uma linha de eléctrico numa cidade idílica da Europa Central (incluindo uma contribuição vocal de Nick McCarthy dos Franz Ferdinand) e o propósito do queixo.

O álbum do ano, um destes três, vai ser anunciado dia 31. No próximo domingo, começam as listas para álbum da década.

Posted Sexta-feira, 25 Dezembro 2009 by Silva in Musica

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Whole New Way


Whole New Way – The Horrors (single, 2009)

Para acabar um 2009 que os viu transformarem-se numa das referências actuais da música Britânica, os Horrors vão editar um novo single com a faixa extra da edição Japonesa, com a faixa que deu o título a Primary Colours como B-Side.

Posted Quarta-feira, 21 Outubro 2009 by Silva in Bandalheira

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Better you let her memory die


Mirror’s Image – The Horrors (Silent Colours, 2009)

Ainda nem deu tempo de curar a ressaca musical de PdC, e eis que Trent Reznor dos Nine Inch Nails anuncia a faixa de abertura de Silent Colours como o novo single dos Horrors, junto com o videoclip algo psicadélico. Tal como tem sido costume, o próprio Trent fornece o video em MP4 para quem quiser, apesar desta vez ter sido algo sumítico com a qualidade.

E que tal uma edição do single em vinil, non?

PS: e tinha-me esquecido, mas aqui fica a versão ao vivo, em Paredes de Coura

Posted Sábado, 15 Agosto 2009 by Silva in Videoclip

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Paredes de Coura 2009, dia 30 de Julho

Conforme já tinha dito anteriormente, considerava o dia 30 de Paredes de Coura como um dos melhores do panorama festivaleiro do ano – e com a presença dos autores de dois dos melhores álbuns do ano e uma banda com uma reputação ao vivo impecável, a não presença era quase um crime. E assim sendo, marquei presença (juntamente com a Anita) na Praia Fluvial do Tabuão.

Como é bem sabido dos regulares, a praia é de uma beleza natural impressionante, que convida mesmo ao descanso e ao recuperar das forças para a loucura que se passa a poucos metros. Há que lamentar é o que vendem como “salada de frango”, que mais parece salada de batata, com uma guest appearance de um frango. Mas ok. Um belíssimo lugar para passar umas largas horas, com festival ou sem ele.

Indo aos concertos:

The Temper Trap: Era um concerto quase surpresa para mim – conhecia uma música deles que até acabaram por não a tocar. Mesmo assim, não é que se tenha sentido a falta. A tocar músicas do álbum de estreia com lançamento Europeu nos próximos dias, a banda serviu de aquecimento para os poucos que já se colocavam mais ou menos próximo do palco, e com o seu rock algo atmosférico pontuado com a carismática performance do seu vocalista. Um excelente começo de dia, e uma banda a ter em mente para tempos futuros – o álbum afigura-se como um dos melhores para 2009.

The Pains of Being Pure At Heart: A banda que de certa forma me começou a roer para marcar presença mostrou-se em força (e com mais um guitarrista), sempre a espalhar simpatia e sempre sorridentes, particularmente a teclista Peggy Wang, a banda fez um bom concerto a mostrar as suas melhores músicas do seu currículo, a mote do excelente álbum de estreia. Notava-se que a banda talvez se sentisse mais confortável num espaço mais pequeno, mas mesmo assim deram um bom espectáculo de estreia em território nacional, com promessas de um regresso.

The Horrors: A última banda confirmada para o dia (em substituição dos banalíssimos Rascals) foi vista a partir de uma parte mais elevada do auditório, já que a música a isso convidava. Armados com um dos melhores e mais surpreendentes álbuns dos últimos anos,a banda liderada por Faris Badwan mostrou-se ao nível que já se esperava. Bastante mais energéticos ao vivo, Faris passeia-se pelo palco quase sem rumo enquanto a banda produz todo o tipo de ruídos ao ritmo das melodias minimalistas de Primary Colours. Já entraram na “primeira divisão” da música britânica com esse álbum, e as performances ao vivo em nada ficam para trás.

Supergrass: A última das quatro estreias do dia apresentou-se em Paredes de Coura quase num formato best-of – nada de surpreendente para uma banda que nos 16 anos de carreira nunca tinha pisado um palco nacional. Apesar de não serem uma das bandas principais durante o auge do Britpop, ao contrário de muitas ainda estão aí para as curvas e foram os primeiros a conseguir captivar verdadeiramente o público. Pessoalmente, teria-os trocado, por exemplo, pelos Howling Bells – mas para fazer dos “relvas” headliners do último dia do festival, já que estavam à altura de tal responsabilidade.

Franz Ferdinand: A única não-estreia do dia, e a par dos NIN (que iriam tocar no dia seguinte) os reis das tshirts por entre os festivaleiros, a banda encheu quase completamente o anfiteatro natural do recinto já nas primeiras horas do dia 31. Enquanto Horrors, Pains e Temper Trap vêm com um álbum “fresco” e bem recebido na bagagem, os Franz Ferdinand continuam com algumas dificuldades para se libertarem de músicas como This Fire ou Take Me Out… mas longe disso ser mau sinal. A combinar o melhor dos álbuns lançados até ao momento, o quarteto de Glasgow levou o público ao rubro, mesmo durante os jams electrónicos com que acabaram o concerto e o encore. São uma das melhores bandas da actualidade, e assim se mostraram no Minho.

De negativo, apenas duas coisas: que haja gente a fazer mosh durante Pains of Being Pure At Heart (a velha história da mosh durante música clássica ou, porque não, durante o Jazz na Relva), e os horários da Renex – a ideia de sair do Porto às 9:30 foi minha, mas acredito que nem todos estão na disposição de voltar às 6:30 – principalmente quando o próprio after-hours termina mais de uma hora antes,  e Paredes de Coura transforma-se num congelador durante a noite.

A repetir para o ano. Para os quatro dias.

Em relação ao dia 30 de Paredes de Coura…

Antes do mais, convém dizer que não sou nenhum “fanático” por festivais, nem estou iludido por preferências tribalisticas por Paredes de Coura (se isto fosse ali no Parque da Cidade era melhor ainda). No entanto vejo muitas críticas sobre a qualidade do mesmo, principalmente devido aos rumores que foram atirados ao ar por “pessoas com fontes”. Ainda para mais, tendo em conta que Paredes é um festival mais orientado para destacar bandas em ascenção, quem quiser ver nomes consagrados e com airplay de radio teria sempre uma boa opção – ir aos outros festivais.

Embora todos os dias têm os seus argumentos, o dia 30 será aquele que, em termos de organização e conceito, será o dia mais perfeito de todos o Verão. É óbvio que poderia ter outras bandas (matava para ter os Super Furry Animals em vez dos Supergrass, mas isso são gostos), mas capta perfeitamente o zeitgeist do panorama indie Britânico de 2009. Ora vejamos.

  • Embora o seu último álbum (Tonight with…) não tenha sido recebido de forma tão calorosa, os Franz Ferdinand são, a par dos Libertines, a banda que relançou a música de guitarras de volta para o topo das preferências na primeira metade desta década, e continuo mais a culpar os erros do álbum no exagerado trabalho de produção e expectativas absurdamente altas. São um headliner de peso – só perdendo uns pontos por já serem habituais dos palcos veraneantes (embora podia dizer o mesmo dos Metallica, e depois era trucidado…)
  • Os Supergrass foram uma das bandas de peso da fase média do Britpop, e ainda continuam activos com uma certa pinta. Talvez outros nomes pudessem estar em seu lugar, mas é uma banda que ignorou o nosso país por muitos anos – curiosamente, uma das “desculpas” mais citadas para justificar o choradinho pelos Blur.
  • A entrada dos The Horrors para o lugar dos fraquíssimos Rascals (muito provavelmente desejados por poucos mais do que os groupies de Alex Turner) é o verdadeiro deal breaker do dia. Depois de serem quase unanimemente considerados scenesters após o seu aparecimento, Primary Colours destaca-se surpreendentemente como um dos melhores álbuns do ano. Esta é a altura certa para ver a banda – muitos sugerem que estes podem ser os Primal Scream desta geração, ou seja, uma banda cujo trabalho é quase orientado em função de convidados e produtores.
  • Os Pains of Being Pure at Heart já são bem conhecidos por este tasco – bem antes de lançarem um LP, até. Apesar de serem uma das bandas mais emergentes da scene indie-pop de NY, o seu som é directamente influenciado pelo chamado movimento C86. São uma banda que muito dificilmente iria encher um espaço numa cidade qualquer, logo a presença em Paredes será por ventura uma hipótese única de ver a banda.
  • Apesar de conhecer pouco a fundo da banda (tirando, lá está, as siiiiiIIIIIIIreeeeeens!), os Temper Trap são uma banda curiosa – tirando Nick Cave e a Kylie Minogue, são poucas as hipoteses de ver ao vivo sons dos down-under. Ainda para mais, são uma banda bastante energética e acredito que pode-se tornar um pequeno culto caso as coisas em Paredes corram bem.
  • Para o afterhours, a presença dos Chew Lips é discreta, mas marcante e prova de quem fez o cartaz sabia bem o que está a fazer – basta recuar menos de um ano para se estar presente na que era considerada a melhor banda unsigned no Reino Unido. Escolha belíssima para um after-hours de um dia em cheio.

É óbvio que a minha wishlist de bandas de Paredes de Coura incluía outras muitas outras: sem correr ao MySpace para verificar datas, poderia referir os Super Furry Animals, Deerhunter, Ash, Glasvegas, Malajube (curiosamente, com os Temper Trap e os Howling Bells foram a banda que mais me ficou deste jogo), Camera Obscura, 1990s, SPC-ECO ou School of Seven Bells, ou nomes gigantescos como os Blur, My Bloody Valentine (podem ir a Portimão que eu por cá fico…) ou os Radiohead. Mas este dia é coeso, e é preciso lembrar, o festival tem apenas UM palco – aquilo que se paga é aquilo que se vê. Seria possível fazer um segundo palco (caso do Optimus-Blitz Alive), mas isso é uma solução que pode sempre dividir pessoas – o cartaz tenta ser tão homogéneo que acaba por não se entender bem qual é o fio condutor.

Curiosamente, todas estas bandas já foram referidas anteriormente neste tasco (tirando os Chew Lips, por falta de material – mas já os recomendei há um par de meses). Isso talvez explique o porquê do meu entusiasmo; só costumo falar de bandas pelas quais tenho uma certa estima (não ando atrás de hits nem pseudo-reconhecimentos do género “vou falar meia dúzia de lugares comuns de cada album que saco para toda a gente pensar que sou bué da indie”), e isto é um raro caso do alinhamento astral perfeito.

Por fim, alguém se lembra disto?

Pois é.

The Horrors, a surpresa do ano

ThehorrorsprimarycoloursQuando apareceram no radar em 2006, os Horrors não pareciam mais que uma das muitas bandas que partilhavam as mesmas influências de bandas como os Strokes ou os Interpol – e o primeiro álbum não sugeria muito mais do que uma banda com um gosto impecável nas referências mas a falhar na execução do Zombie Garage Rock.
A escolha de Geoff Barrow dos Portishead para produzir o álbum parecia sugerir uma mudança de direcção, mas tal como diz o velho provérbio, you can’t polish a turd (só podemos meter-lhe penas e chamá-lo Brandon Flowers), por isso mesmo assim a curiosidade fora do círculo de fãs da banda era reduzida.

Isto até que aparece sorrateiramente o primeiro vídeo do novo trabalho da banda, um épico de quase 8 minutos, onde se cruza todo um conjunto de influências de tempos idos:

Os dados estavam logo aí lançados. Seria apenas uma faixa sem exemplo, ou um surpreendente novo caminho para a banda? A resposta saíria em Maio, com o lançamento de Primary Colours… e logo nas faixas de abertura mostrava-se o novo caminho da banda. Todas as influências, desde os MBV, The Cure, Bauhaus (estamos afinal de contas a falar dos Horrors) , Chameleons, Joy Division, Kitchens of Distinction, Jesus and Mary Chain, Neu! entre muitos outros, e o notável é que a banda faz isto sem nunca perder uma identidade sua – o problema de muitas bandas suas contemporâneas.

Um dos álbuns do ano? Sim. E tal como já disse, um dos álbuns mais surpreendentes da década. Já se fazem muitas perguntas sobre o futuro da banda – alguns dizem que irão manter-se neste registo, outros que podem voltar às suas origens, uns sugerem que podem tornar-se os Primal Scream desta geração – a adaptar a sua sonoridade conforme os produtores com quem trabalham. Seja como for, este é o salto para a “primeira divisão”, e apesar do inegável “efeito Susan Boyle” de ver uma banda destas fazer um disco destes,  este irá ser lembrado como um dos melhores discos desta década.

Posted Quarta-feira, 13 Maio 2009 by Silva in Musica

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