Álbuns para 2008

Depois de comprar o Distortion, comecei a pensar que mais álbuns a sair este ano é que podem ser interessantes. E como penso melhor com uma folha ou algo onde escrever à frente, por algum motivo lá achei que este podia ser um assunto interessante para aqui. Começando…

3º dos My Bloody Valentine

Prometido pelo gordo, que ainda em Dezembro dizia, no seu melhor badocha, que até podia sair ainda em 2007, é um dos regressos mais esperados da música: os MBV desapareceram numa nuvem de fumo, e o culargo anda há mais de 10 anos a dizer que o melhor está para vir. Deve sair pelo Verão, por altura das tours, a não ser que a recusa do Colm O’Ciosoig em alinhar nas tours deixe tudo a perder. Ou dar a telha do perfeccionismo no Shields, e ficar na calha mais uns meses a afinar as faixas, algumas restos pós-Loveless, outras novas. Com uma caixa (de novo) anunciada com o currículo da banda, este pode ser o regresso de uma das poucas bandas que continuará sempre a ser “alternativa”.

PS: Deixo de o chamar gordo quando meter o álbum cá fora. E a Box.

7º dos The Jesus and Mary Chain

Apesar da carreira ter sido sempre a descer após o Darklands, os Reids ainda têm um peso e influência enorme na música dita alternativa. Tirando algumas músicas, a maior parte dos álbums pós-Honey’s Dead mostram uma banda que quase se tornou uma banda de tributo deles mesmos. Seja como for, o regresso em 2007 teve os seus pontos altos, e entre alguns momentos menos inspirados (a presença no SBSR foi uma amostra disso) conseguiram recuperar alguma da forma que mostravam no início dos anos 90 pelo final da tour.

Não será certamente um regresso às origens, mas será o suficiente para se mostrar porque ainda são uma banda de referência.

3º dos Asobi Seksu

Enquanto os My Bloody Valentine eram apenas uma memória e os regressos apenas um rumor, a banda nova-iorquina composta na base por Yuki Chikudate (voz, teclados) e James Hanna (guitarra) começava a subir a pulso na esteira do Newgaze. O primeiro álbum homónimo prometia, Citrus foi a confirmação de que o lado mais “adocicado” do género está vivo. No entanto, tal como a banda-matriz do género, o terceiro álbum é esperado com expectativas elevadas – Não se podem dar ao luxo de fazer mais do mesmo, mas a única fuga possível é para cima.

3º dos Franz Ferdinand

Muito se tem falado do terceiro álbum da banda escocesa considerada por muitos como a maior da década. Desde o anúncio de sintetizadores, Brian “Xenomania” Higgins como produtor com as declarações de um “pop sujo”, Kapranos e companhia já despediram o produtor e assumiram-se como uma banda que afinal não era pop, mas atravessa todo o espectro dela. O interesse em sintetizadores deverá manter-se, resta saber para onde vai o resto do som.

Há 12 anos os Suede re-inventaram-se por necessidade como um grupo pop. Os Franz Ferdinand não têm essa necessidade, mas após um segundo álbum que era justamente reconhecido como uma versão mais polida do primeiro, não deverá existir espaço para um terceiro que já seria “mais do mesmo”.

9º dos Primal Scream

De presença marcada em Paredes de Coura, Bobby Gillespie é dos músicos mais imprevisíveis dos últimos 25 anos. Desde as batidas monocórdicas de Psychocandy, o indie pop dos primeiros anos, o delírio acídico de Screamadelica, o desastre Stonesiano de Give Out But Don’t Give Up, o regresso à forma com Vanishing Point e a intensidade sónica de XTRMNTR e Evil Heat e nova decepção com o rock tradicional de Riot City Blues, Bobby G nunca soube ficar parado e soube sempre rodear-se dos melhores músicos disponíveis para a banda.

Este regresso vai ser “barulhento” – palavras do próprio. A olhar para a carreira da banda, está visto que é nos ritmos mais dançáveis e barulhentos que a banda mostra tudo que é feita. Caso cumpra a promessa, então será difícil que não esteja aqui um dos discos do ano.

3º dos Amusement Parks on Fire

De projecto de um homem só até à banda de Out Of The Angeles, 2008 pode ser um ano interessante para Michael Feerick. O interesse no shoegaze deverá subir com o regresso dos MBV, e os APOF estão na fila da frente onde antes estavam Ride ou Slowdive. A gravar em Praga depois da idílica (suponho) Álafoss, o material novo vai aparecendo, e apesar de já não apanhar ninguém de surpresa, pode estar aqui um bom álbum para 2008.

2º dos The Sunshine Underground

Enquanto o NME levava os Uhuhuhaaaahxons ao colo, a banda de Leeds mostravam mais que era mais que uma música – depois de abrir para os Happy Mondays (de certa forma, os avôs do movimento dance-punk/nu-rave), a banda começou a estrear alguns dos temas do álbum que iria seguir-se a Raise The Alarm, a mais conhecida das quais será Fall In Line. Tudo indica que não irá ser nada de revolucionário – uma consolidação do talento mostrado no primeiro álbum.

Velocifero – Ladytron

Uma das bandas Electropop mais populares desde que o género voltou a entrar na moda (aliás, se não foram eles os principais responsáveis por isso, ficam perto), uma nova editora, já uma faixa disponibilizada,

2º dos White Rose Movement

Depois da mistura post-punk (whatever that is) com electropop de Kick, os WRM estão a trabalhar no segundo álbum, mas perderam Erica “Taxxi” MacArthur, substituída por Poppy Corby-Tuech. Mais estranho é a falta de uma editora – principalmente após a banda ter acompanhado os Nine Inch Nails por dois dias na Austrália e até ter obtido algum reconhecimento nas restantes tours e pelo primeiro álbum.
A ver pela amostra no MySpace da banda, o som parece ser algo diferente do exibido no primeiro álbum. Seja como for, parece que têm videoclips um pouco melhores – embora pior que os dos singles do primeiro álbum seja difícil. Há que esperar por ver qual vai ser a sorte da banda.

Estreia dos The Pains of Being Pure at Heart ?

Ainda estão na fase dos EPs e singles, mas 2008 pode ser o ano que a banda tem o tão ambicionado contrato discográfico. Já com um bom número de músicas no currículo, começa a ser tempo da banda de twee/indie pop pensar em dar o salto. Talento não falta, resta aproveitar uma oportunidade.

3º dos Keane

Hopes and Fears é excelente, Under The Iron Sea tem os seus momentos. Ambos venderam milhões, para desespero dos antis. Seja como for, um dos problemas que uma banda que ao vivo está limitada a dois instrumentos é que a fórmula esgota-se muito rapidamente, mas eles parecem ser os primeiros com a noção disso. Entre as entradas mais bizarras do site oficial da banda (agora transformado em diário), é possível ver fotos de Tom Chaplin e Tim Rice-Oxley com uma guitarra e com os rumores da entrada de um novo membro na banda, é possível supor que vá existir uma alteração na sonoridade da banda. Resta saber para que sentido.

Anywhere I Lay My Head – Scarlett Johannson

Este será mais uma curiosidade que propriamente um lançamento esperado: uma das novas “meninas bonitas” de Holywood decide lançar um album de covers de Tom Waits, com colaboração de David Bowie. A ver pela amostra em Lost In Translation e com os The Jesus And Mary Chain no Verão passado, não se vai esperar uma grande voz (embora o estúdio tudo consiga), mas vá, não deixa de ser uma curiosidade para 2008. Mas tal como li algures, I’ll try not to listen to the album with my cock. O mais natural é ser algo que se ouve uma vez e não se volta.

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